terça-feira, 6 de maio de 2008

Lugo está numa saia justa com Itaipu, diz diplomata

Lugo está numa saia justa com Itaipu, diz diplomata

O diretor do Departamento para a América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, João Luiz Pereira Pinto, disse hoje que o presidente eleito paraguaio Fernando Lugo se meteu numa "saia justa" ao verificar, finda sua campanha eleitoral, a dificuldade prática de se reajustar a tarifa de Itaipu Binacional cobrada do Brasil pela energia não usada pelo Paraguai. "Essa foi uma idéia que alguém deve ter soprado para ele (Lugo) no calor da campanha eleitoral e agora ele vai ficar numa saia justa", declarou Pereira Pinto, em depoimento na audiência pública da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados para discutir possíveis mudanças no Tratado de Itaipu.

Segundo o diretor do Departamento para a América do Sul do Itamaraty, Lugo foi "mal assessorado" ao fazer do reajuste da tarifa de Itaipu uma das principais bandeiras de sua campanha eleitoral. "É no mínimo injusto jogar em Itaipu a culpa pelos problemas internos do Paraguai", destacou o diplomata, assinalando que entre esses problemas estão o uso dos royalties pagos por Itaipu ao Paraguai e a prestação de contas dessas aplicações.

De acordo com Pereira Pinto, as declarações de Lugo sobre o assunto estão suavizadas, agora, esfriadas as refregas da campanha eleitoral. Informou que ultimamente a expressão "se possível" começou a aparecer nas afirmações do presidente eleito sobre o tema. O diplomata destacou que o reajuste da tarifa "é tecnicamente complexo" e sua utilização como bandeira da campanha eleitoral de Lugo mostra "um profundo desconhecimento" da assessoria da campanha sobre as questões de Itaipu.

O chefe do Departamento da América do Sul do Itamaraty enfatizou que o Tratado de Itaipu "é um instrumento jurídico perfeito e equilibrado" e não é o tratado que está em questão. Assinalou que o tratado não se encerra em 2023, prazo previsto para a amortização da dívida formada para a construção da hidrelétrica.

PARAGUAI: LUGO RESPONDE COMENTÁRIO DE SARNEY SOBRE ITAIPU

ASSUNÇÃO, 5 MAI (ANSA) - O presidente eleito Fernando Lugo respondeu ontem ao comentário de José Sarney sobre a contribuição do Paraguai para a construção da usina de Itaipu e disse que cobrará um "preço justo" pela energia vendida ao Brasil.
"O Paraguai não entrou com uma moeda, entrou com a metade. Está pagando sua dívida e também tem participação nas águas do rio Paraná. Pergunto a Sarney: Por que não fizeram (Itaipu) sem o rio?".
As declarações de Lugo foram transmitidas pelo Canal 4-Telefuturo, um dia depois do jornal ABC Color ter repercutido a coluna de José Sarney do dia 2 de maio, que tratou sobre a usina binacional de Itaipu.
De acordo com o artigo, "o Paraguai não entrou com um tostão e tem um patrimônio de US$ 30 bilhões, metade do que vale a usina. Compramos a energia a US$ 37 o MW/h, enquanto eles pagam US$ 24. O Paraguai já recebeu de Itaipu US$ 4,5 bilhões, líquidos. Receberá até 2023 mais US$ 7,5 bilhões".
Para Sarney, "Lugo está certo quando defende o seu país e deseja melhor aproveitamento de Itaipu por sua pátria. Mas está errado quando nos chama de imperialistas e espoliadores".
O principal programa de governo de Lugo, fortemente divulgado durante sua campanha eleitoral, é a "recuperação da soberania hidroelétrica".
Lugo chegou a afirmar que, se o Brasil fosse contra a revisão do Tratado de Itaipu, assinado no dia 26 de abril de 1973, recorreria a tribunais internacionais.
O Paraguai reivindica um aumento nos valores da energia repassada ao Brasil, que atualmente é vendida a preço de custo e não de mercado.
O vice de Lugo, Federico Franco, anunciou que o novo governo pretende revisar também os preços de Yacyretá, usina binacional que o Paraguai mantém junto à Argentina. (ANSA)

Nenhum comentário: