segunda-feira, 16 de março de 2009

Sátira à campanha de cerveja provoca manifestação na web

Sátira à campanha de cerveja provoca manifestação na web

Desde terça, mais de 100 pessoas enviaram mensagens no Twitter a favor de comediante carioca

Ana Freitas - estadao.com.br

O comediante carioca teve apoio de mais de cem internautas quando precisou mudar vídeo

Divulgação/Produtora Badalhoca

O comediante carioca teve apoio de mais de cem internautas quando precisou mudar vídeo

SÃO PAULO - Na última semana, o site de microblog Twitter foi palco de mais uma manifestação virtual. Dessa vez, foi em defesa do humorista Ronald Rios, carioca de 21 anos, que se envolveu em um imbróglio virtual com a cervejaria Skol.

Veja também:
linkLG e Marisa Monte também já sofreram por repercussão ruim em mídias sociais
linkLINK: Por que todos estão falando sobre o Twitter? lista
linkNo YouTube:
assista ao vídeo oficial da campanha da Skol com Danilo Gentili video

Desde terça, dia 10, mais de 100 pessoas publicaram mensagens com a tag #FREERONALDRIOS (free Ronald Rios). Os posts traziam links para um blog e uma estampa de camiseta a favor do comediante, que publicou um vídeo no YouTube parodiando uma campanha da cerveja.

Rios escreveu e, com o diretor Erik Gustavo, filmou e colocou no ar uma sátira a uma campanha oficial da Skol, na qual os humoristas Rafinha Bastos e Danilo Gentili contam piadas no formato "stand-up" e convidam os usuários da marca a fazerem o mesmo. O mote da campanha é selecionar os melhores vídeos enviados pelo público para veicular na televisão.

"Se você também tem uma história que, quando aconteceu, você pensou: 'eu ainda vou rir disso um dia', conte-a e envie o vídeo para gente!", dizem Rafinha e Gentili nos vídeos que estão no YouTube.

Veja o vídeo feito por Rafinha Bastos para a campanha:

A paródia de Rios e Gustavo foi editada visualmente para ficar idêntica aos vídeos oficiais da campanha da Skol, e isso incluía o logotipo da marca. No vídeo, Rios conta casos tristes de situações envolvendo alcoolismo, com o som de gargalhadas ao fundo no fim de cada história. "O vídeo só queria tirar sarro da campanha, não teve nem a intenção de fazer campanha antialcoolismo ou diminuir os comediantes", contou o humorista.

A sátira acabou lhe rendendo um e-mail da agência responsável pela ação, que pedia para que a imagem da Skol fosse desassociada do vídeo. "Assim que eu soube, deletei (o vídeo) imediatamente", explicou. "Depois, conversei com uns amigos que tinham passado por situações semelhantes. O que decidi fazer foi colocar uma nova versão do vídeo no ar." O novo esquete, também publicado no YouTube, mantém o mesmo texto, mas mostra Rios em um fundo verde e não faz nenhum tipo de referência à Skol ou à campanha.

Confira a paródia feita por Ronald Rios e Erik Gustavo:

Naquela terça, o comediante Rafinha Bastos, um dos participantes da campanha, disse à reportagem que ainda não havia visto o vídeo, mas que já sabia da história. Rafinha pediu explicações sobre o conteúdo do material, deu risada no telefone e disse que no lugar de Rios seria "o primeiro a fazer esse tipo de piada". "A internet é um mundo livre para tirar sarro de quem você quiser, não adianta barrar. Se ele não gostou da (minha) piada, tem que tirar sarro mesmo", argumentou. "A única coisa que acho que justifica tirar um vídeo do ar é violação de direito autoral. E sobre o vídeo do Ronald, quero ver sim, conheço ele, é um cara supercriativo", disse.

AÇÕES CONTROVERSAS

O caso rendeu críticas contra a Skol na web, que foi acusada por essa centena de blogueiros de "não saber brincar".

Não é a primeira vez que uma grande empresa tenta chegar mais perto do consumidor final através de ações em mídias sociais e enfrenta uma repercussão negativa. Recentemente, a LG e a cantora Marisa Monte também receberam reações negativas de usuários a campanhas promovidas em redes sociais. Saiba mais aqui

De acordo com Edney Souza, sócio-diretor da Pólvora, uma agência especializada em consultoria e desenvolvimento de ações em ambientes on-line, uma reação ruim não é exatamente uma surpresa.

"Você deve esperar qualquer tipo de reação. Mesmo a campanha mais legal deve ter gente falando mal", explica. Para Souza, esse é um problema comum quando as empresas desejam se aventurar numa rede social. "A publicidade tradicional não está acostumada com isso. Se o cara reclama no sofá da sala dele, isso não traz problema (para a marca). Agora, quando o cara coloca o vídeo no YouTube e chama as pessoas para assistir..."

RESULTADO

Quando procurada pela reportagem, a agência que enviou o e-mail para Rios disse que o caso deveria ser resolvido diretamente com a Ambev, dona da marca Skol.

Segundo a Ambev, em nenhum momento a empresa pediu a Rios que removesse o vídeo do YouTube. O alerta teria solicitado apenas que a paródia fosse dissociada da marca e que não desse a impressão que ele tivesse sido contratado pela empresa.

Rios nega. O humorista enviou à reportagem uma cópia do e-mail que teria recebido. Na mensagem, a agência pede para que o vídeo seja removido, devido à presença do logo da Skol e da referência ao site oficial da campanha.

De acordo com a Skol, a empresa não tem a intenção em "remediar" ou fazer uma contra-ação à campanha de usuários que criticaram a ação da cervejaria. O assessor da Ambev, Alexandre Loures, disse que não considera as reações nos blogs e no Twitter um problema. "Eu gosto mais quando há repercussão do que quando passa em ‘brancas nuvens’, na verdade. Tem muita gente bacana que escreveu sobre o assunto em tom crítico, e eu não tenho nenhuma intenção de confrontar. Liberdade de opinião é um dos valores da marca, também. Todo mundo tem direito de fazer a leitura que quiser."

Diante das críticas que acusavam a Skol de "não saber brincar", Loures disse que a questão tem a ver com as implicações judiciais que o vídeo poderia ter. "Acontece que esse mercado tem uma auto-regulamentação publicitária, e a gente tem que estar sujeito às normas. Ele pode fazer piada com a Skol do jeito que ele quiser, só não pode dar a entender que nós o contratamos para isso, se não o contratamos. Aliás, ele até seria um nome que cogitaríamos contratar", explicou.

"Ele e qualquer um pode fazer quantos vídeos da Skol quiser, estejam à vontade. A marca, quando abre essa oportunidade, busca exatamente isso. Mas por favor, não diga que é contratado da Skol, não coloque o logo da Skol ou use o site da Skol, porque aí passamos a ser responsáveis pela história."

Segundo Loures, ele e a equipe da Skol acharam o vídeo divertido. "Achamos muito legal a paródia. Ele é um cara bacana, muito inteligente, faz a coisa acontecer e busca seu espaço, só não pode mentir", disse.

Para Rios, a intenção da sátira não era ser moralista ou ironizar os comediantes. "Foi só uma piada com uma campanha de publicidade que me pareceu tola, não estava tirando sarro do ‘stand-up’ e nem criticando a cerveja. Só a campanha", disse. "Vi o vídeo no site e fiquei com a sensação de que a agência mexeu muito nas piadas", criticou.

Loures garante que as piadas foram escritas por Gentili e Rafinha, e que não houve nenhum tipo de restrição quanto ao teor delas. "Estamos começando nessa plataforma, há quem goste das piadas e quem não goste, e a tendência é com o tempo ir melhorando e 'pegando o veio'. Mas eu fiz questão de me reunir com o Rafinha na última semana, e pedir para que ele avisasse o Danilo, para dizer que eles devem fazer o texto do jeito que quiserem. Não adianta contratá-los e pedir para que eles sejam publicitários, porque vão ficar ali com aquela cara de 'coxinha'. Daí nós gastamos dinheiro à toa e eles se expõem à toa", disse.

Rios disse que o episódio foi benéfico para ele, apesar da frustração. "A reação inesperada da Skol até foi boa para mim, porque as pessoas começaram a divulgar que a agência tinha pedido para a gente tirar o vídeo do ar. Eles ficaram com a imagem de 'dono da bola', daquele que se você não brinca do jeito que ele quer, ele leva a bola embora", esclareceu Rios. E desabafou: "E eu até estou triste porque gosto da cerveja, a última coisa com que eu me preocupei foi em fazer campanha anti-álcool. Quero muito que eles gostem. Minha maior vontade é que as agências entendam que se você não quer ter esse tipo de problema, então coloca inserção no intervalo da novela."

Quanto vale Ronaldo?

Quanto vale Ronaldo?

O jogador Ronaldo virou atração nacional pelo seu desempenho nos últimos jogos, quando transmitiu a imagem de que estava renascendo das cinzas --até pouco tempo, só se falava nas suas contusões, no seu peso e, para completar, em seus escândalos sociais, metido no mundo das celebridades. A gordura era a tradução do descaso, da falta de responsabilidade, de foco. Afinal, já tem tanto dinheiro, por que se esforçar? Mas será que ele pode ser tornar um bom exemplo educativo para os jovens?

O psiquiatra Içami Tiba, especialista em educação, comentou comigo que o jogador está dando uma amostra de resiliência, ou seja, a habilidade de não perder a garra, depois dos traumas --no meu site, aprofundo o conceito de resiliência. É algo, segundo ele, que se desenvolve em casa e, depois, na escola.

É consenso entre educadores que se dissemina a chamada "Geração Tanto Faz", composta de crianças e adolescentes cercadas de proteção e, por isso, sem treino para suportar obstáculos e frustrações. Tudo tem de ser fácil e imediato --e divertido. Falar que a conquista de amanhã depende do esforço de hoje faz pouco efeito.

Criam-se assim seres fracos, sem projetos, incapazes de enfrentar desafios --portanto, dependentes.

Com seu culto às celebridades, que valem não por quanto pesam, mas pelo que aparentam, a sociedade reforça o estímulo da "Geração Tanto Faz". Gente que não fez nada vira sucesso, basta ficar uns dias no "BBB". Some-se a isso que, por falta de projetos coletivos, o consumo se transformou quase num vício, estimulando a busca do prazer imediato e descartável.

Se Ronaldo continuar nesse ritmo, treinando duro, se aplicando, acabaria sua carreira por cima. Talvez nunca mais volte à seleção --mas terá agido como educador. É muito melhor do que ser lembrado pelos escândalos sexuais.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

quarta-feira, 11 de março de 2009

Os tentáculos da santíssima violação de leis e direitos

Em nome de Deus

Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, que me perdoe (ou não, o problema é dele), mas a atitude que tomou no caso do aborto da menina estuprada pelo padrasto leva a crer que vive nas trevas dos tempos da Inquisição. As declarações do severo guardião de Deus sobre a mãe da menina e dos médicos responsáveis pelo aborto foram absolutamente infelizes, desumanas e impiedosas. Da boca do arcebispo não saiu uma única palavra para condenar o monstro que estuprou a enteada desde os 6 anos de idade e a engravidou de gêmeos aos 9. Para ele estuprar crianças é pecado, mas do tipo leve.

Mais grave que esse tipo de violência sexual, afirma, é "o aborto, a eliminação de uma vida inocente." Por quem sois, dom José, quem é mais passível de castigo, o tarado infame ou os médicos, que, queira ou não, salvaram a vida da menina? Talvez o arcebispo não se lembre mais do que disse Cristo sobre os que atentam contra a inocência das crianças, coisa que aprendi nos velhos tempos do catecismo.

Aquela dura e impressionante condenação, aquela inapelável recomendação de que se amarrasse o tarado a uma pedra de moinho e em seguida o atirasse ao mar. Enquanto o tribunal de dom José expõe seu arcaico fundamentalismo, centenas de templos evangélicos, espíritas, umbandistas e outros menos votados seguem recolhendo legiões de ex-católicos indignados com a hipocrisia de padres e bispos que vivem num mundo irreal, absurdo e injusto.

Indiferente a isso, o arcebispo de Olinda e Recife segue acreditando que sua hóstia contém mais Deus. Lá nas alturas, rodeado de arcanjos, o Criador deve estar envergonhado do que fazem em seu nome. Cá em baixo, ficamos sem saber se devemos implorar ao diabo que proteja nossas crianças da ação criminosa e imperdoável dos padres pedófilos que nunca foram punidos pelas leis humanas e muito menos excomungados.

Angelo Prazeres
http://www.otempo.com.br/supernoticia/colunas/?IdEdicao=592&IdColunaEdicao=1406

Os tentáculos da santíssima violação de leis e direitos

por Fatima Oliveira*

A semana passada foi repleta de temas polêmicos e angustiantes na esfera política. ''Conversadeira'' de nascença, desejo palpitar em todos. É espacialmente impossível. No aspecto pessoal, estou no olho de uma pororoca.

(...) Vide o caso da menina de Alagoinha (PE), de 9 anos, violentada pelo padrasto, que engravidou de gêmeos. Correndo risco de vida, teve o duplo direito de interromper a gravidez. Por exercer seus direitos, foi excomungada, juntamente com a mãe, os profissionais de saúde que a atenderam e todas as pessoas que a socorreram em tão dolorosa situação. Ninguém merece os delírios do arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, o excomungador!

Até o presidente Lula rompeu o silêncio com que tem agraciado a sua Igreja: ''Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja Católica tenha um comportamento conservador como este. Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho, até porque a menina corria risco de vida. Acho que, neste aspecto, a medicina está mais correta do que a Igreja. Eu estou dizendo que a medicina está mais correta que a Igreja, e fez o que tinha que ser feito: salvar a vida de uma menina de 9 anos''.
Discurso perfeito!

Compartilho uma ponderação do dr. Roberto Arriada Lorea, juiz de direito em Porto Alegre, meu colega no Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR): ''Merece atenção a resposta do arcebispo, quando afirma que a lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Numa democracia, a lei de Deus não pode estar acima da lei dos homens, pois é dever do Estado garantir a igual liberdade religiosa de todos os cidadãos, respeitadas a diversidade de crenças e visões de mundo, inclusive daqueles que não creem. A excomunhão, portanto, serve de alerta. Se hoje os cidadãos não precisam temer represálias religiosas quando exercem seus direitos, é porque em 1890 foi decretada a separação Estado-igrejas, garantindo-se a inviolabilidade de consciência e de crença. Antes disso, a pena de excomunhão surtia efeitos no mundo jurídico, podendo vitimar os cidadãos com a chancela do Estado-juiz.

Naquele largo período da história brasileira, fundamentalistas religiosos, como o arcebispo de Recife e Olinda, tinham muito poder, pois pecar era ilegal. Está nas mãos do Congresso Nacional preservar a separação Estado-igrejas, rejeitando a concordata assinada por Lula e Ratzinger em 2008, a qual viola o artigo 19, I, da Constituição Federal, estabelecendo uma aliança com a Igreja Católica, colocando-a acima das demais religiões professadas no Brasil, em detrimento das liberdades individuais''.

*Fatima Oliveira, Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e
Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=52150

Frei Betto: Igreja está 'encastelada' e não vê a realidade

Mais do que ter dificuldade para se adaptar à realidade atual, a Igreja Católica “fica encastelada em seu principismo abstrato”. A opinião é do frade dominicano e escritor Frei Betto.

Em entrevista à repórter Michelle Amaral, do Brasil de Fato, ele comenta os dois casos recentes envolvendo representantes da Igreja Católica: a excomunhão dos envolvidos no aborto da menina pernambucana de 9 anos e o afastamento do padre Luiz Couto de suas atividades eclesiásticas em decorrência das declarações controversas às da doutrina católica

Segundo Frei Betto, tais exemplos explicam como o conservadorismo ainda defendido pela Igreja — em contrapartida à realidade do povo — contribui para o afastamento de seus fiéis. Nas duas situações, o posicionamento da Igreja causou grande polêmica.

Dom José Cardoso Sobrinho excomunhou a mãe e a equipe médica que realizaram o aborto de uma menina de 9 anos, que foi violentada por seu padrasto e acabou grávida de gêmeos. Sem considerar os riscos que a menina corria, Dom José afirmou que cumpria uma lei católica.

No caso do padre Luiz Couto, Dom Aldo di Cillo Pagotto o suspendeu do uso de Ordem até que se retrate em público sobre declarações feitas por ele em uma entrevista, na qual defende o fim do celibato, o uso de preservativos e o combate à discriminação de homossexuais. O padre é também deputado federal e atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minoria (CDHM) da Câmara dos Deputados.

Confira a entrevista.

Como o sr. avalia a posição da Igreja Católica frente a estes dois recentes casos, da excomunhão (por Dom José Cardoso Sobrinho) pelo aborto da menina de 9 anos e do afastamento do padre Luiz Couto (por Dom Aldo Pagotto) por suas declarações controvérsias ao pensamento conservador católico?
Penso que demonstram a dificuldade de a Igreja Católica se adaptar à realidade atual. Comparo a atitude do arcebispo de Olinda e Recife com a de Jesus diante da mulher adúltera... Que diferença! Jesus foi capaz de compreender, perdoar, acolher.

Os médicos agiram corretamente, para salvar a vida da menina e evitar o risco de três mortes. E manifesto todo o meu apoio ao padre Luiz Couto, de quem sou amigo e admirador.

Dessa forma a Igreja se afasta da realidade vivida pelas pessoas atualmente?
Sim, a Igreja fica encastelada em seu principismo abstrato, sem considerar o que a teologia chama de "moral de situação", a partir da realidade concreta. Assim, os fiéis buscam outras denominações religiosas, onde se sentem mais acolhidos pela compaixão, o perdão, a misericórdia divina manifestada através de seus pastores. A cada ano a Igreja Católica perde, no Brasil, 1% dos fiéis.

Para um católico, o que representa a excomunhão?
A exclusão da instituição eclesiástica e da participação em seus sacramentos, jamais a ruptura com Deus e com o próximo.

As mudanças propostas por Luiz Couto fazem parte de um debate estabelecido por muitos segmentos da sociedade e da própria igreja. O senhor acredita que a polêmica em torno de seu afastamento, pode contribuir para que essas propostas ganhem mais força?
É bom esclarecer aos leitores que o padre Luiz Couto foi suspenso de ordens — proibido de celebrar os sacramentos — por defender o fim do celibato e da discriminação aos homossexuais, bem como o uso de preservativos. Acho que ele está coberto de razão.

A Igreja teve apóstolos casados, como Pedro (Jesus curou a sogra dele), e sacerdotes casados nos primeiros séculos. A vocação ao sacerdócio não coincide necessariamente com a vocação ao celibato.

Quanto à homossexualidade, defendo que é uma tendência natural do ser humano e, como tal, deve ser respeitada, e não discriminada ou condenada como ocorria em sociedades patriarcais, machistas, como as que estão espelhadas no Antigo Testamento. E concordo com o cardeal Arns quanto ao preservativo: é um mal menor frente à epidemia que leva à morte milhões de pessoas.

E como a Igreja deveria se posicionar?
Sempre em favor da vida e do amor, como o que une um casal do mesmo sexo.

De que forma a Teologia da Libertação contribui para as mudanças na forma de se praticar o cristianismo da Igreja Católica?
A Teologia da Libertação faz uma nova leitura das fontes da revelação cristã, como o Bíblia e a tradição da Igreja, assim como fizeram Santo Agostinho, no século 4, e Santo Tomás de Aquino, no século 13.

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=52178