sábado, 23 de fevereiro de 2008

PF investigará firma que emitiu nota ao PSDB

Ministério Público pediu abertura de inquérito sobre a Gold Stone, que emitiu notas frias para a campanha de Serra em 2002

Auditores da Receita dizem que empresa nunca existiu; investigadores suspeitam de esquema de lavagem de dinheiro e venda de notas

Marcela Fae/Folha Imagem
Endereço onde morava Octavio Moia Claro, único sócio vivo da Gold Stone


LEONARDO SOUZA
EM SÃO PAULO

O Ministério Público Federal em São Paulo encaminhou ofício à Polícia Federal, na última quarta-feira, solicitando abertura de inquérito para investigar a Gold Stone Publicidade e Propaganda, empresa que emitiu notas fiscais frias para o PSDB e para a campanha de 2002 de José Serra, então candidato tucano à Presidência.
Concluída em dezembro de 2006, a fiscalização na Gold Stone é um trabalho independente da auditoria feita nas contas de partidos políticos.
A iniciativa do Ministério Público decorre de representação fiscal para fins penais enviada ao órgão pela Receita Federal, que detectou uma série de irregularidades praticadas pelos representantes da Gold Stone, empresa que nunca foi localizada pelo fisco desde sua criação (1996), nunca recolheu tributos e nunca teve registro na Junta Comercial de São Paulo, onde informou ter sede.
Segundo os auditores, a Gold Stone nunca teve existência física, ou seja, é fantasma.
Apesar disso, a empresa mantinha conta bancária e foi autuada (R$ 3,280 milhões) também por ter tido receita sem origem comprovada. Investigadores ligados ao caso, que pediram para não serem identificados, suspeitam que a Gold Stone fizesse parte de esquema de lavagem de dinheiro e de venda de notas frias.
A PF informou que, com apenas dois dias da solicitação do Ministério Público, não teria como confirmar ontem em que estágio o caso se encontra.
A Folha teve acesso ao termo de verificação fiscal referente à Gold Stone. Após várias tentativas, os auditores localizaram o único sócio vivo da empresa, Octavio Moia Claro. Viúvo de Maria Magdalena Paradelo Claro, representante legal da Gold Stone, Moia foi intimado no dia 26 de junho de 2006 a apresentar os documentos contábeis da empresa. No lugar da papelada exigida, enviou dois boletins de ocorrências datados de 21 de junho de 2001.
O primeiro boletim informa roubo/furto de seu veículo, com todos os livros e documentos contábeis da empresa, incluindo o talão de notas. O segundo informa a localização do veículo no dia em que a ocorrência de furto foi feita. Segundo o boletim, o carro foi encontrado em estado de abandono, faltando equipamentos. Não há menção aos livros fiscais.
Moia usou os boletins para afirmar que não possuía nenhum documento contábil da empresa desde o furto do carro.
Contou também que havia se separado de Maria Magdalena em 1999 e que, antes do furto (2001), a Gold Stone "já tinha paralisado suas atividades, conforme declarações à minha pessoa pela titular".
Se as declarações forem verdadeiras, ainda que a Gold Stone tivesse existido um dia, a empresa não teria como prestar serviços ao PSDB em 2002, muito menos emitir notas fiscais. Segundo os auditores, a empresa nunca existiu de fato.
O fisco expediu ofícios à Junta Comercial de São Paulo solicitando informações sobre a empresa. A Junta informou que não constavam registros.
"A multa de ofício foi qualificada em decorrência do acúmulo de indícios constatados (omissão reiterada de declaração, omissão continuada de receitas, inaptidão, inexistência no endereço cadastral, falta de registro na Jucesp, não-entrega dos livros e documentos fiscais e contábeis, movimentação financeira em valores significativos) na seleção para fiscalização e durante a ação fiscal", escreveram os auditores.
Questionado na quarta como o PSDB localizou a Gold Stone, o vice-presidente-executivo do PSDB, Eduardo Jorge, deu a seguinte resposta: "Em relação ao PSDB, eu não sei, isso é uma coisa que aconteceu há anos".
Ontem, por meio da assessoria do PSDB, Eduardo Jorge disse que a empresa se ofereceu para prestar serviços. Sobre a solicitação de abertura de inquérito, disse que é uma relação da empresa com a Receita.

Manual de sexo para crianças cria polêmica na Espanha

Um manual de educação sexual para crianças e adolescentes intitulado Sexo sem tabu, lançado pelo governo da Catalunha, na Espanha, provocou reclamações entre os pais católicos da região. O folheto aborda com naturalidade temas polêmicos, como a masturbação para menores de 16 anos.

Os manuais de 24 páginas para estudantes de 10 e 11 anos e de 32 páginas para os de 12 a 16 abordam, com ilustrações e linguagem simples, vários aspectos da sexualidade, desde as mudanças no corpo até a homossexualidade.

Algumas associações de pais estão se manifestando contra o uso do folheto nas aulas e, após uma reunião realizada no último sábado, decidiram enviar um manifesto ao secretário de Educação da Catalunha, Ernest Maragall.

Os pais pediram a retirada do manual das salas de aula porque julgam que os textos "não falam de valores, de confiança nem de família, só de sexo sem considerar a família", de acordo com o manifesto.

"Um folheto sobre um tema como a educação sexual não pode ser entregue diretamente aos menores sem a autorização dos pais", protestou a assessora de comunicação da Associação Européia de Pais, Remédios Falaguera, que participou da reunião.

O secretário da instituição, Carles Armengol, divulgou uma nota à imprensa. No comunicado, afirma que os conteúdos do manual são "avançados demais".

"Acreditamos que abrangem determinados temas de forma prematura", diz o secretário. "A Generalitat (governo estadual da Catalunha) pode informar sobre sexualidade, mas são os pais e os professores que devem educar."

Nada de novo

O governo catalão minimiza a polêmica. A Secretaria de Educação disse à BBC Brasil que "as críticas vêm sendo feitas por setores minoritários" e que os manuais foram criados por especialistas.

"Nenhuma informação ali é nova para eles", diz uma nota de imprensa assinada pelo diretor-geral do Departamento de Saúde Pública, Antoni Plasènsia.

Para o governo, os folhetos têm como objetivo ajudar os menores a conhecer o cuidado com o corpo e incentivar condutas saudáveis em relação à sexualidade.

"A diferença está na clareza e naturalidade com que trata os temas", afirma a Secretaria de Educação catalã. "Por isso, chamou-se Sexo sem tabu."

Os 400 mil manuais já começaram a ser distribuídos nas escolas catalãs. Os dedicados às crianças de 10 e 11 anos têm como título: Comigo também está acontecendo e com você?. Nos folhetos preparados para os adolescentes de 12 a 16 anos, o título éSeja seu.

A definição para masturbação de crianças de 10 e 11 anos é descrita no manual como "uma coisa natural, uma forma de conhecer seu corpo e ter novas sensações".

O manual também retrata a situação de um casal de adolescentes que pretende iniciar sua vida sexual. Ao informar sobre os detalhes da experiência, deixa uma recomendação.

"Viva de acordo com seus gostos e preferências, explore seu corpo, tocando-se e tendo prazer", diz o texto. "Se bem que nada é obrigatório", acrescenta o manual.

A proibição dos games violentos

Responsável pelo “boom” das lan houses em todo o mundo, o Counter-Strike deixou de ser “mania” há um bom tempo, mas está de volta à ordem do dia após a proibição imposta em janeiro deste ano

A polêmica vem à tona sempre que uma decisão como a do juiz mineiro Carlos Alberto Simões de Tomaz proíbe a venda de determinados games no mercado brasileiro – jogos como Carmageddom e Duke Nukem 3D já enfrentaram processos semelhantes na justiça. Agora a bola da vez são os games Counter Strike e Everquest, “banidos” após uma resolução da 17º Vara Federal do Estado de Minas Gerais (válida em todo o território nacional) segundo a qual eles seriam “nocivos à saúde dos consumidores”.
Como era de se esperar, a proibição causou revolta entre os maiores adeptos desse tipo de entretenimento, os jovens.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Artista que pinta com pênis vai concorrer a prêmio máximo

O artista australiano Tim Patch, que se autodenomina 'Pricasso', pinta o retrato de Alan Length com o seu pênis, em foto de arquivo. Patch avisou que agora vai colocar suas obras para concorrer no prêmio máximo dado aos artistas do país: Archibald Prize. A organização do evento, em Sydney, disse esperar 700 retratos na disputa, que terá o seu ganhador anunciado em março.

Fonte:G1


(Estou achando essas fotos meio gozadas...)

Adolescentes com deficiência não se consideram retratados na Mídia de três países latino-americanos

Estudo inédito
Adolescentes com deficiência não se consideram retratados na Mídia de três países latino-americanos

• Pesquisa realizada pela ANDI aponta que adolescentes com deficiência pouco se identificam no conteúdo dos meios de comunicação brasileiros, argentinos e paraguaios
• No Brasil, as ações de merchandising social apresentam impacto positivo sobre os jovens


Garotas e garotos com deficiência pouco se reconhecem na programação de tevê, nos jornais e nas revistas. É o que revela o estudo Mais Janela que Espelho: a percepção dos adolescentes com deficiência sobre os meios de comunicação na Argentina, no Brasil e no Paraguai, lançado hoje (11/02) pela ANDI, Rede ANDI América Latina e Save the Children Suécia.

A pesquisa ouviu 67 adolescentes, a maioria na faixa dos 11 a 13 anos, com deficiência, de diferentes classes sociais, em três países latino-americanos – Brasil, Argentina e Paraguai – divididos em oito grupos focais nas cidades de São Paulo, Salvador, Buenos Aires e Assunção. A maioria esmagadora deles não se recordou de nenhuma notícia ou personagem televisivo que abordavam essa condição. “Apenas depois de diretamente questionados eles lembravam de algo e falavam no assunto”, conta Guilherme Canela, coordenador de Relações Acadêmicas da ANDI e do estudo.

Quando estimulados, os adolescentes brasileiros se lembraram de mais personagens do que os argentinos e os paraguaios. Isso se deve, especialmente, a ações de merchandising social que incluem pessoas com deficiência nas telenovelas (especialmente as da Rede Globo), em histórias em quadrinhos e programas infantis. Personagens como os cegos Flor e Jatobá, da novela América (rede Globo), Clarinha, que tinha síndrome de Down na novela Páginas da Vida (também da rede Globo) ou o cadeirante Luca, da Turma da Mônica criada por Maurício de Souza, foram mencionados pelos meninos e meninas.

Além de lembrar personagens criados para abordar a questão, o grupo brasileiro se identificou com o que era mostrado na telinha ou no papel. E não foi uma identificação negativa. “Os adolescentes não demonstraram autopiedade. Essas ações têm um impacto muito interessante”, explica Canela. Clara por exemplo, foi considerada ‘legal’, ‘bonita’, ‘mais desenvolvida’. A identificação com a personagem foi tanta que uma participante da pesquisa chegou a dizer que “Clara era igual a mim”.

Uma janela para outros mundos

Embora o merchandising social tenha demonstrado certo impacto, o fato de os participantes da pesquisa não se recordarem espontaneamente de personagens e notícias sobre essa parcela da população é preocupante. “Por se reconhecerem pouco na programação da tevê, os adolescentes com deficiência não têm na televisão um espelho, mas uma janela”, conclui a pesquisa. Isso significa que a realidade que esses garotos e garotas apreendem por meio dos veículos de comunicação não reflete, ainda que minimamente, seu mundo e suas experiências. Nesse sentido, os meios de comunicação funcionariam como uma vitrine, uma janela para outros mundos.

Uma das conseqüências disso, segundo Guilherme Canela, pode ser uma dificuldade extrema de reflexão sobre sua condição – um dos componentes essenciais para a luta pela garantia dos seus direitos. “A mídia deveria mostrar, de forma menos desigual, a sociedade tal qual é com pessoas de diferentes gêneros, etnias, classes sociais, condições físicas e psíquicas – independentemente de ações de merchandising social”. O estudo apontou, por exemplo, que os meninos e meninas estão mais preocupados com a situação de crianças pobres ou de idosos do que com os seus próprios entraves para a plena efetivação de seus direitos.

Gostos semelhantes - Ao contrário do que pode pensar boa parte da população, os gostos e preferências dos adolescentes com deficiência em relação à televisão são semelhantes ao de garotos e garotas em geral. Os meninos e meninas ouvidos nos grupos focais demonstraram preocupações com conteúdos violentos e apelativos. Suas preferências mesclam um consumo ainda característico da infância – como desenhos animados – e hábitos adultos – como a atração por novelas e reality shows. O resultado foi semelhante a outros estudos do tipo conduzidos pela ANDI com adolescentes sem deficiência.

Segundo o consultor da pesquisa, Romeu Sassaki – que há quatro décadas se dedica ao estudo das mais diversas questões sobre deficiência e que acompanhou todos os grupos –, “os adolescentes com deficiência são, antes de tudo, adolescentes”.

Acessibilidade - Nos grupos realizados no Brasil, foi possível estabelecer uma discussão sobre a Classificação Indicativa, levantada pelos próprios adolescentes. No anúncio da indicação, símbolos específicos informam a classificação e simultaneamente uma intérprete de Língua de Sinais Brasileira (Libras) traduz a mensagem às pessoas com deficiência auditiva. Os meninos e meninas surdos disseram que os intérpretes gesticulam muito rápido e o espaço destinado a eles é pequeno. A conseqüência é que não entendem as mensagens veiculadas. Os garotos e garotas com deficiência auditiva também levantaram a necessidade de que mais programas televisivos sejam interpretados em Libras – com a devida visibilidade.

Clique aqui para baixar a íntegra do estudo.

Conheça a metodologia utilizada

O grupo focal é uma metodologia científica utilizada para avaliar qualitativamente a opinião de uma parcela específica da população a respeito de determinado assunto. Não interessa, portanto, a quantidade de pessoas ouvidas e sim, o tipo de conhecimento que foi obtido. É uma estratégia de coleta de informações baseada na premissa de que as respostas do indivíduo, em grupo, serão mais elaboradas do que quando ele está sozinho com um entrevistador.

Para que funcione, o grupo deve ter, idealmente, entre seis a dez participantes e contar com um moderador que provoca as discussões, mas não faz perguntas fechadas, como um entrevistador. No caso dessa pesquisa, foram realizados grupos nas cidades de Buenos Aires, Assunção, São Paulo e Salvador.

Esta não é a primeira vez que a ANDI realiza grupos focais. As opiniões de adolescentes a respeito da abordagem dos meios de comunicação sobre diversos assuntos – como programas juvenis, trabalho infantil doméstico e saúde – já foram ouvidas em outros estudos da Agência.

Informações:

Guilherme Canela – coordenador do estudo
(61) 2102-6537
gcanela@andi.org.br

Fábio Senne – assistente da Coordenação de Relações Acadêmicas
(61) 2102-6535
fsenne@andi.org.br

Ana Néca – assistente da Coordenação de Relações Acadêmicas
(61) 2102-6547
aneca@andi.org.br


Romeu Sassaki – Consultor da pesquisa
(11) 3507-4115
romeukf@uol.com.br

A imagem “http://www.andi.org.br/_img/logo_Fbranco.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Record e Igreja Universal X Imprensa (Povo)

1 – PRB NA PARADA

A inscrição mais recente na lista dos pré-candidatos a Prefeitura de Porto Velho atende pelo nome de Edésio Antônio Martelli – que vem a ser, leitor, o ex-deputado estadual eleito em 2002 pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com 5 mil 320, dos quais 1 mil 248 em Alvorada do Oeste (então sua base eleitoral) e a maioria dos restantes nas localidades circunvizinhas – principalmente nos municípios de Teixeirópolis, Urupá, Mirante da Serra, Nova Brasilândia, São Miguel do Guaporé e Nova União.

A reeleição, em 2006, Martelli já a disputou pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN), mas os 3 mil 655 votos que lhe garantiriam uma das suplências da legenda (a 4ª) foram parar no limbo, porquanto desde o ano passado ele está filiado à seção porto-velhense do Partido Republicano Brasileiro (PRB), agremiação de que se tornou presidente do Diretório Regional e pela qual pode disputar a sucessão no Palácio Tancredo Neves.

PRB? Não bastasse o cipoal de quase 30 siglas associadas aos partidos com estatutos registrados hoje na Justiça Eleitoral dificultando a caída da ficha, desavisado, a primeira reação do leitor é remeter a sopa de letras ao cesto das micro-legendas sem nenhuma importância, daquelas que em toda eleição prestam-se tão somente ao arrendamento deslavado. Ledo engano. Não obstante até nas fraldas – ainda está para completar três anos de idade em agosto -, o PRB tem representantes no Congresso Nacional – sete na Câmara dos Deputados e um no Senado Federal (Marcelo Crivella-RJ) -, tem ministro no governo (Mangabeira Unger, da Secretaria Extraordinária de Assuntos Estratégicos) e é nele que está filiado desde a fundação o vice-presidente José Alencar.

Em termos dos perigos que oferece para a concorrência e do potencial de irradiação, porém, tudo isso é café pequeno diante do fato de que a agremiação vem a ser o braço político-partidário da Igreja Universal do Reino de Deus - do bispo Edir Macedo e do complexo de comunicação liderado pela Rede Record de Televisão.
http://www.tudorondonia.com/ler.php?id=5646

FENAJ: Jornalistas repudiam intimidação da Universal

A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos do país filiados à FENAJ repudiam, com veemência, a atitude da direção da Igreja Universal do Reino de Deus, que desencadeia campanha de intimidação contra jornalistas no exercício da profissão.

Também apelam aos Tribunais e ao Superior Tribunal de Justiça no sentido de alertá-los para ações que se multiplicam a fim de inibir o trabalho de jornalistas em todo o país. O acesso e a divulgação da informação garantem o sistema democrático, são direitos do cidadão, e o cerceamento de ambos constitui violação dos direitos humanos.

A TV Record, controlada pela Universal, chegou ao extremo, inadmissível, de estampar no domingo, em cadeia nacional, a foto da jornalista Elvira Lobato, autora de uma matéria sobre a evolução patrimonial da Igreja, publicada na Folha de S.Paulo. Por esse motivo, Elvira responde a dezenas de ações propostas por fiéis e bispos em vários estados brasileiros.

Trata-se de uma clara incitação à intolerância e do uso de um meio de comunicação social de modo frontalmente contrário aos princípios democráticos, ao debate civilizado e construtivo entre posições divergentes.

O fato de expor a imagem da profissional em rede nacional de televisão, apontando-a como vilã no relacionamento com os fiéis, transfere para a Igreja a responsabilidade pela garantia da integridade moral e física da jornalista.

A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos exigem que os responsáveis pela Igreja Universal intervenham para impedir qualquer tipo de manifestação de intolerância contra a jornalista.

O episódio nos remete à perseguição religiosa, absurda e violenta, praticada por extremistas contra o escritor Salman Rushdie, autor de Versos Satânicos, e as charges de Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten.

O jornalista Bruno Thys do jornal carioca Extra também é processado pela Universal em cinco cidades do Estado do Rio de Janeiro. O repórter Valmar Hupsel Filho, na capital baiana, já responde a pelo menos 36 ações ajuizadas em vários estados do Brasil, nenhuma delas em Salvador, sede do jornal A Tarde, onde trabalha.

Há evidência de que essas ações, com termos idênticos, estão sendo elaboradas de forma centralizada, distribuídas e depois impetradas em locais distantes, para dificultar e prejudicar a defesa, além de aumentar o custo com as viagens dos jornalistas ou seus representantes.

Encaminhados à Justiça com o nítido objetivo de intimidar jornalistas, em particular, e a imprensa, em geral, esses processos intranqüilizam e desestabilizam emocionalmente a vida dos profissionais e de seus familiares. Ao mesmo tempo, atentam claramente contra os princípios básicos da liberdade de expressão e manifestação do pensamento.

Em um ambiente democrático e laico, é preciso compreender e aceitar posições antagônicas e, mais ainda, absorver as críticas contundentes, sem estimular reações de revanche ou mesmo de pura perseguição.

Este episódio repete, com suas consideráveis diferenças, outras situações em que os meios de comunicação exorbitaram os fins para os quais foram criados. A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia e demais Sindicatos sustentam que a imprensa não pode se confundir com partidos políticos, crenças religiosas ou visões particulares de mundo.

Brasília, 20 de fevereiro de 2008.

Diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
Diretoria Sindicato dos Jornalistas da Bahia
http://www.ifj.org/default.asp?Index=5854&Language=ES


Estadão critica Lula por apoio à intimidação da imprensa
O jornal O Estado de S.Paulo publica hoje (21) editorial criticando a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua postura frente aos atos intimidatórios desencadeados contra a imprensa brasileira. Para o Estadão, não se pode perdoar a solidariedade de Lula, acondicionada em transparente hipocrisia, aos atos intimidatórios desencadeados contra a Folha de S.Paulo e outros jornais pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Leia abaixo a íntegra do editorial do jornal:

Apoio à intimidação da imprensa


O presidente Lula pode ser perdoado por não saber, talvez, o que são liberdades negativas. Cunhada por um dos mais notáveis filósofos políticos do século 20, Isaiah Berlin (1909-1997), a expressão designa, entre outras, a liberdade de não sofrer abusos ou de não ser intimidado.

Nas sociedades abertas, elas fazem par com as liberdades positivas, a começar daquela da qual dependem todas as demais - a liberdade de expressão. Já o que não se pode perdoar a Lula é a sua solidariedade, acondicionada em transparente hipocrisia, aos atos intimidatórios desencadeados contra a Folha de S.Paulo e outros jornais pela Igreja Universal do Reino de Deus, ou, nominalmente, pelos seguidores do notório fundador da seita, o autoconsagrado bispo Edir Macedo. Para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), trata-se de uma campanha coercitiva sem precedentes no País.

A pretexto de serem ressarcidos por alegados prejuízos morais - demandando valores suspeitamente modestos, não superiores a R$ 10 mil -, "pastores e fiéis", como que em iniciativas distintas, mas com textos praticamente idênticos, pediram a abertura de 56 ações em 56 municípios espalhados pelo País.

A orquestração foi caracterizada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) como "uma iniciativa capciosamente grosseira e que afronta o Poder Judiciário, já que pretende usá-lo com interesses não declarados". Não por outro motivo, dois dos cinco juízes que até agora se manifestaram sobre as petições, todos se recusando a acolhê-las, condenaram os seus autores por litigância de má-fé. Foi essa a "estréia" da represália do "bispo" Macedo, por interpostas pessoas, a uma reportagem da jornalista Elvira Lobato, publicada em 15 de dezembro na Folha, sobre o seu "império empresarial".

Direta ou indiretamente, apontava a reportagem, ele é o maior detentor de concessões na mídia eletrônica brasileira - são 23 emissoras de TV, entre elas a geradora da Rede Record, e 40 de rádio. A elas se somam 19 outras empresas diversas. A extensão financeira do conglomerado, registrada no paraíso fiscal de Jersey, no Canal da Mancha, serviria para esquentar os dízimos recebidos pela Universal.

Se a igreja e o seu fantasticamente bem-sucedido CEO pedissem a abertura de processo contra o jornal e a jornalista, no foro apropriado, seria um caso legítimo de quid pro quo. Nessa hipótese, o presidente Lula estaria certo ao dizer que "a liberdade de imprensa pressupõe isso". Mas ele sabe que a liberdade de imprensa não pressupõe que a parte atingida responda com ações simultâneas em 20 Estados. "Isso" é uma tentativa torpe de amordaçar os meios de comunicação sob a capa de uma busca legítima de reparação pela via judicial.

Ora - mais uma vez a pergunta se impõe -, a quem o presidente pensa que engana? Ele e Edir Macedo são aliados que confraternizam ostensivamente. O braço político da Universal, o PRB, faz parte da coalizão lulista. A ele é filiado o vice José Alencar. E por aí se chega à essência da questão.

A ameaça de fundo à liberdade de imprensa - e à democracia que, segundo Lula, a avalanche de ações retaliatórias "vai consolidando no Brasil" - reside na apropriação de um bem público, o espaço por onde trafegam os sinais de rádio e TV, por emissoras confessionais a serviço do interesse político de seus controladores. A concentração de poderes midiáticos em mãos de supostos salvadores de almas - que, de resto, se comportam como adeptos de Mammon, o deus pagão do dinheiro - não é menos nociva do que o chamado coronelismo eletrônico das oligarquias políticas regionais.

Onde a separação entre Estado e Igreja é um princípio inerente à ordem constitucional, como é o caso do Brasil, governo algum tem o direito de prestigiar um grupo político indissociável de uma entidade religiosa. Mas é o que faz, sem tirar nem pôr, o governo atual.

É de pasmar a indiferença, ou a cumplicidade, do presidente da República com os golpes desferidos contra órgãos de mídia para lhes causar transtornos tais que possam induzi-los no futuro a hesitar a expor, a bem do interesse da sociedade, a face oculta de figuras e organizações que se nutrem da (ingênua) confiança popular. O lulismo já demonstrou antes que não é bem um baluarte da liberdade de imprensa. Agora, Lula foi além das tamancas.

Fonte: O Estado de S.Paulo

http://www.adjorisc.com.br/jornais/obarrigaverde/noticias/index.phtml?id_conteudo=127781



Ataque universal

Igreja usa meio legal para alcançar objetivo ilegal

por Priscyla Costa

Não há antídoto contra a má-fé no uso da Justiça. Mas existe um mecanismo civil de punição: a multa por litigância indevida ou abuso de direito. Ele deve ser aplicado quando o juiz que aprecia o processo reconhece que ele foi ajuizado para atingir um único objetivo: o da retaliação. Apesar da possibilidade de punição, a prática de usar o Poder Judiciário apenas para incomodar um desafeto persiste.

Não se pode impedir que aviões continuem voando só porque terroristas resolveram lançar dois deles contra as torres gêmeas de Nova York, no dia 11 de setembro de 2001. Da mesma forma, não se pode impedir que quem quer que seja, tendo motivo, recorra à Justiça só porque alguns fanáticos religiosos resolveram mover uma bateria de ações judiciais contra jornais que supostamente os teriam ofendido ao discorrer sobre as atividades comerciais da Igreja Universal do Reino de Deus.

Até esta terça-feira (19/2), 96 fiéis moviam ação contra a imprensa — processos ajuizados em cidades do interior dos estados (estratégia usada para dificultar a defesa dos jornais e jornalistas). A maioria — 56 — é contra o jornal Folha de S. Paulo e a jornalista Elvira Lobato. A série de ações de fiéis começou depois que a Folha Universal chega aos 30 anos como império empresarial, em 15 de dezembro. Também respondem ações de indenizações por danos morais o jornal Extra, e seu diretor de redação, Bruno Thys, do Rio de Janeiro; e A Tarde e o jornalista Valmar Hupsel Filho, de Salvador. publicou a reportagem

Mordaça pela Justiça

Apesar de toda a polêmica levantada, os fiéis da Universal não foram os primeiros a estrear ações orquestradas contra a imprensa, só para causar incômodo. A TV Globo, entre 1997 e 1998, sofreu uma avalanche de ações movidas por policiais militares depois que o programa Casseta e Planeta satirizou as situações ocorridas na Favela Naval, onde dez policiais foram filmados agredindo moradores em uma blitz. Foram 132 processos, todos movidos por policiais. O argumento era o de que eles se sentiram ofendidos só pelo fato de trabalhar na Polícia.

De acordo com o advogado Luiz Camargo de Aranha Neto, que defende a emissora, todos os pedidos de indenização foram negados. A Justiça de São Paulo entendeu que os policiais não tinham legitimidade para propor ação porque eles não apareceram nas cenas gravadas, nem seus nomes foram citados no programa de humor.

Aranha, apesar de reconhecer como legal o ajuizamento das ações, acredita que todas beiram a má-fé. “As iniciais são idênticas e a reportagem não mencionou o nome de um fiel sequer. É impossível que um fiel do Amazonas tenha ouvido as mesmas chacotas ditas para um fiel do Rio Grande do Sul”, diz.

O advogado Djair Rosa, que faz a defesa da Editora Rickdan, responsável pela publicação revista Sexy, afirma que neste caso quem tem direito de pedir indenização é o órgão de imprensa. “Cabe processo por perdas e danos. Essa é a melhor arma jurídica para evitar que isto se repita. Apesar da roupagem legal, a estratégia é claramente ilegal”, defende o advogado.

A Editora Abril também já teve de se desdobrar para administrar dezenas de processos sobre o mesmo caso. Em 2002, a editora respondeu 40 ações movidas por freqüentadores do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, por causa da reportagem Barato Legal, publicada em setembro pela revista Veja. No texto, era dito que o chá ayahuasca, consumido durante as reuniões do centro espírita, era “droga como qualquer outra”, por provocar surtos psicóticos e, se fosse combinada com outras substâncias, seria capaz de provocar morte súbita.

“Se um brasileiro fundar uma religião que utilize em seu ritual maconha, cocaína, ecstasy, LSD ou crack, terá a aprovação do secretário nacional antidrogas. Afinal de contas, ‘religião é religião’”, dizia o texto. Os seguidores do centro espírita alegaram que foram ofendidos pelo conteúdo da reportagem. O nome de nenhum deles foi citado no texto. Por causa da ilegitimidade, as 40 ações foram julgadas improcedentes.

Em outro caso, a Editora Abril respondeu 105 ações por causa da reportagem A cidade goiana das espanholas, publicada na revista Veja em 2 de março de 2005. A jornalista Solano Nascimento escreveu que a economia na cidade de Uruaçu (GO) era fruto do trabalho das mulheres da cidade que se prostituem na Espanha.

As autoras da ação, moradoras do município, afirmavam que além de a reportagem colocar Uruaçu como a cidade das prostitutas, dava a entender que se você não fosse prostituta seria filha de prostituta ou mãe de prostituta. Também por ilegitimidade das partes, a Abril ganhou todas as ações.

Tudo indica que a tradição será mantida nas ações da Universal. Até agora, Folha e jornalista não perderam nenhum caso, no mérito, dos cinco analisados até agora. O único pedido indeferido foi o de centralizar todas as ações em apenas um juízo. No caso do jornal A Tarde, uma ação já foi julgada extinta.

http://conjur.estadao.com.br/static/text/63978,1


Repórteres sem Fronteiras condena queixas da Igreja Universal do Reino de Deus contra a imprensa
Comunicado em português

Repórteres sem Fronteiras está preocupada com as diversas ações na justiça iniciadas contra três jornalistas e seus respectivos jornais por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). O diário A Folha de São Paulo e sua jornalista, Elvira Lobato, são acusados em cinqüenta queixas individuais, procedentes de mais de vinte Estados, em virtude da publicação dum artigo sobre as finanças da Igreja. O diário do Rio de Janeiro Extra e seu diretor de redação Bruno Thys, assim como o diário de Salvador A Tarde e um de seus repórteres, Valmar Hupsel Filho, são alvo de quarenta ações da Igreja por terem divulgado a profanação duma imagem católica por um fiel da IURD.

“A liberdade de imprensa implica, evidentemente, dar a possibilidade a qualquer pessoa que se considere injuriada ou difamada de reclamar. Mas uma coisa é protestar, outra muito diferente é incorrer numa autêntica perseguição judicial. Por que razão a Igreja Universal do Reino de Deus não iniciou, como pessoa moral, uma processo único contra cada um dos diários ? Essa multiplicação de ações individuais parece obedecer a uma verdadeira estratégia de assédio contra a mídia. O argumento religioso não tem nenhum valor no litígio que opõe a IURD à Folha de São Paulo. Expressamos todo nosso apoio aos três jornais em causa”, declarou Repórteres sem Fronteiras.

Numa reportagem publicada na Folha de São Paulo, em 15 de dezembro de 2007, Elvira Lobato denunciava a relação entre o vasto patrimônio financeiro da IURD e determinados paraísos fiscais. O artigo não mencionava nenhum fiel em particular nem abordava a doutrina da IURD. No entanto, desde essa data, cerca de cinqüenta membros da IURD, considerando-se “ofendidos” em suas convicções religiosas, entraram com ações na justiça contra o diário e a jornalista em mais de vinte Estados. De acordo com A Folha de São Paulo, a coincidência temporal dos processos e a distância entre os tribunais não permitem uma defesa eficaz. A justiça recusou um pedido do diário, que exigia fusão das petições. Apesar disso, Elvira Lobato e seu jornal já ganharam cinco processos.

As trinta e cinco queixas apresentadas contra A Tarde e Valmar Hupsel Filho e as outras cinco contra Bruno Thys, diretor de redação de Extra, dizem respeito a um outro episódio. No começo de dezembro de 2007, os dois diários haviam publicado uma informação relativa à profanação de uma imagem religiosa por parte de um crente da IURD, numa igreja católica de Salvador, na Bahia. Os evangélicos consideram essas reportagens “uma incitação à ira dos católicos contra os fiéis da IURD”. Por outro lado, em 17 de fevereiro de 2008, a TV Record, propriedade da IURD, denunciou a utilização da palavra “seita” a seu respeito, feita pelo diário O Globo. O canal também mostrou uma fotografia de Elvira Lobato.

Os três diários processados receberam o apoio da profissão. Para o Presidente Lula, em declaração de 19 de fevereiro, “a liberdade de imprensa pressupõe que a imprensa possa escrever o que quiser, mas pressupõe também que a pessoa que se sinta atingida recorra à justiça para provar sua inocência”.

http://www.rsf.org/article.php3?id_article=25855


Elvira Lobato desabafa:
Em 35 anos de profissão, sendo 23 na Folha de S.Paulo, a repórter especial Elvira Lobato nunca tinha enfrentado, ou ouvido falar, de um massacre como esse a que vem sendo submetida pela ofensiva da dobradinha Record - Igreja Universal, depois que assinou a reportagem "Universal chega aos 30 anos com império empresarial".

Levantamento feito pela Associação Brasileira de Imprensa mostrou que ela tem razão. A enxurrada de processos em escala nacional da Igreja de Edir Macedo contra ela e o jornal é um ataque sem precedentes na história da imprensa brasileira. Elvira, que trabalha na sucursal carioca do jornal, esteve hoje em São Paulo (SP) para conversar com a direção da Folha e com os advogados. Antes de voltar para o Rio, ela recebeu IMPRENSA para a seguinte entrevista:

IMPRENSA - Se a enxurrada de processos foi uma surpresa, o que dizer da reportagem da Record do último domingo?
Elvira Lobato - Eu só a vi a matéria ontem. Respeito muito o trabalho do repórter. Ele (Afonso Mônaco) me ligou e eu fui delicada e respeitosa. Disse que não podia falar porque isso é uma coisa muito grande. Uma coisa é eu falar com você, que é de uma revista, outra é a TV, que fala com milhões de pessoas. Pedi que ele procurasse o departamento jurídico, porque aquilo seria outra escala. De qualquer forma, eu não imaginava que fosse sair aquela matéria que saiu (domingo, na Record). Aquilo foi uma coisa que me deixou completamente em estado de choque. Me senti profundamente agredida. Mostraram minha foto...isso me entristeceu muito. Eu não imaginava que o jornalista pudesse fazer uma coisa dessas. Jogaram as pessoas contra mim, mostraram minha cara. Qual o objetivo disso? Eu nunca desrespeitei os fiéis, nunca falei que o dinheiro deles é sujo. Sei que eles são trabalhadores limpos. Espero que eles, os fiéis, tenham serenidade. Não sou inimiga da Igreja. Meu trabalho é informar. Eu queria entender porque fizeram aquilo comigo.

IMPRENSA - Foi uma surpresa ver o Paulo Henrique Amorim e o Afonso Mônaco apresentando a matéria?
Elvira - Olha, isso é uma coisa mais emocional minha. Há momentos na vida de uma pessoa que ela faz coisas que não concorda. Pode ser por necessidade de dinheiro, para pagar o tratamento de um filho que está no hospital. Existem coisas que justificam...Enfim, o tom da matéria não está à altura daqueles profissionais. O que aconteceu? Eles é que têm que explicar. Se fizeram isso por uma questão de sobrevivência, durmam tranqüilos porque eu os perdôo. Mas se não for isso, não consigo perdoar. Colocar meu rosto daquela maneira... Quem trabalha em jornalismo sabe quem eu sou. Tenho 35 anos de trabalho como repórter.

IMPRENSA - Como tem sido enfrentar essa avalanche de processos no Brasil inteiro? Você tem se deslocado para participar das audiências?
Elvira - A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) examinou os processos e disse que esse é um caso único, sem precedentes na história do jornalismo brasileiro. Eles entraram contra mim e contra a Folha em juizados especiais, também chamados de juizados de pequenas causas. Nesse tipo de instância eu, como pessoa física, tenho que estar presente. Isso seria inviável, porque, em alguns casos, tem duas audiências no mesmo dia em lugares completamente diferentes. A Folha se faz representar. Não é que o caso está correndo à revelia. Estamos cuidando de todos. O jornal nomeia um jornalista ou chefe da região que vai junto com os advogados. Isso exige uma logística inacreditável de advogado para cima e para baixo.

http://www.ultimahoranews.com/not_ler.asp?codigo=71790



Igreja Universal garante respeitar a liberdade de imprensa
Em comunicado divulgado na noite da última terça-feira, a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), enfim, se posicionou a respeito da polêmica gerada pelos processos impetrados contra a Folha de S.Paulo, a jornalista Elvira Lobato e o jornal Extra, em série por seus seguidores, além de matéria veiculada na TV Record, que tratava como crime o fato de a jornalista da Folha ter publicado matéria, que dissertava sobre o império empresarial da Igreja e do possível destino dos donativos dos fiéis.

No texto, a Universal afirma que vem sendo procurada por fiéis que manifestam seu repúdio às matérias publicadas sobre a Igreja, "especialmente no que se refere à origem e destinação de seus dízimos".

A Iurd alega que já entrou com ações judiciais e que não tem qualquer interesse em orquestrar e incentivar processos individuais por parte de seus fiéis. "A Iurd respeita a liberdade de Imprensa, os jornalistas e suas entidades representativas, porém, não admite que reportagens sejam usadas para ofensas de outras garantias constitucionais como a dignidade da pessoa humana, o acesso à Justiça, à liberdade de crença e à inviolabilidade da honra".

Ainda no comunicado, a Universal classifica como inaceitável que a mídia utilize denominações consideradas "ofensivas e preconceituosas" para se referir à Igreja, tais como "seita, bando e facção", e garante apoiar as entidades de classe, quando a questão é a democracia. "A Imprensa, com responsabilidade, pode noticiar e os fiéis, da mesma forma, podem acessar a Justiça".

A Iurd finaliza a nota, colocando nas mãos do Judiciário a resolução para a polêmica entre ela e a imprensa. "Cabe ao Judiciário, com a imparcialidade e independência que lhe são inerentes, a palavra final".

http://www.ultimahoranews.com/not_ler.asp?codigo=71788




EQUIPE DA UNIVERSAL ORIENTA FIÉIS A PROCESSAR IMPRENSA

A ofensiva da Igreja Universal do Reino de Deus contra a imprensa pode atingir proporções gigantescas. A igreja montou uma equipe para orientar seus fiéis a entrarem com pedidos de indenização por danos morais contra jornais e jornalistas que publicam notícias sobre os negócios da Universal.

Até agora, são 96 processos de fiéis em dezenas de cidades pelo interior do país. E o número vai crescer. Em reportagem exibida no último fim de semana pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record — que pertence ao bispo da Universal Edir Macedo — é feita uma ameaça velada. Depois de dizer que há mais de 50 ações contra o jornal Folha de S.Paulo e a jornalista Elvira Lobato, lembra: “A Universal tem cinco mil templos”. A reportagem tem sido repetida com insistência pela emissora.

A série de ações de fiéis da Universal contra jornais começou depois que a Folha publicou a reportagem Universal chega aos 30 anos como império empresarial, em 15 de dezembro. No texto, a repórter Elvira Lobato relatou que a Universal construiu um conglomerado empresarial. A jornalista informou que uma das empresas da Igreja, a Unimetro, está ligada à Cableinvest, registrada no paraíso fiscal da ilha de Jersey, no canal da Mancha. “O elo aparece nos registros da empresa na Junta Comercial de São Paulo. Uma hipótese é que os dízimos dos fiéis sejam esquentados em paraísos fiscais”, informou.

Nas primeiras decisões sobre o caso, a manobra da igreja já foi classificada como “assédio judicial”, “aventura jurídica” e “abuso de direito” pelos juízes que apreciaram as causas. Segundo o departamento jurídico do jornal, a Folha e a jornalista Elvira Lobato foram intimados em 50 ações. O jornal já ganhou cinco delas. O único pedido rejeitado foi a preliminar para reunir todas as ações em um só juízo, solicitação negada pelo Juizado de Jaguarão (RS). Para todas, cabem recurso. A Igreja Universal diz que são 56 ações.

A maioria dos processos está concentrada em Juizados Especiais. Eles tramitam em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Piauí, Acre, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Amazonas, Espírito Santo, Bahia e Rio Grande do Norte, por enquanto. Todos foram protocolados em cidades do interior dos estados, para dificultar a defesa do jornal e jornalista. Uma audiência, por exemplo, aconteceu numa cidade do Amazonas que fica a 300 quilômetros de barco distante da capital, Manaus — neste caso, a viagem demora, pelo menos, 10 horas.

Apenas duas ações não entraram em Juizados Especiais. Uma é movida exclusivamente pela Universal. E existe uma queixa-crime contra a jornalista pelo crime de difamação.

Desde o mês de janeiro, o departamento jurídico da Folha tem se desdobrado para atender todas as intimações e comparecer as audiências. Tarefa impossível, claro. A advogada Taís Gasparian, responsável pela defesa do jornal e jornalista, disse para a Consultor Jurídico que na segunda-feira (18/2), por exemplo, seis audiências foram marcadas. Todas exigem a presença de advogado, preposto e parte. Gasta-se com passagem de avião, honorários e hora de trabalho. Nos lugares mais distantes, a Folha manda representantes.

“O que espanta é que o Juizado Especial foi criado para possibilitar o acesso dos cidadãos ao Judiciário, mas não para ser usado para atolar e inibir a cobertura da imprensa”, afirma Taís.

Ataque generalizado

Além da Folha, respondem ações de indenizações por danos morais o jornal Extra, e seu diretor de redação, Bruno Thys, do Rio de Janeiro; e A Tarde e o jornalista Valmar Hupsel Filho, de Salvador. O jornal Extra e Bruno Thys são réus em cinco ações movidas por pastores nas cidades de Barra Mansa, Campos, Miracema, Bom Jesus de Itabapoana e Santo Antônio de Pádua — todas do interior fluminense.

O jornal relatou o caso em que um fiel da igreja, Marcos Vinícius Catarino, danificou imagem de madeira de São Benedito em uma igreja de Salvador. Catarino foi detido pela polícia e liberado no mesmo dia. Os cinco pastores alegaram que se sentiram ofendidos com a divulgação da notícia. Afirmaram no pedido inicial estar “correndo o risco diário de sofrer agressões físicas e sofrendo discriminações até por parte de membros da Iurd, uma vez que eles também têm sido alvo de perseguição religiosa”.

O jornal A Tarde publicou reportagem sobre o mesmo episódio, assinada pelo repórter Valmar Hupsel Filho. Até o fim da semana passada, já haviam sido ajuizadas 35 ações contra a empresa e o jornalista em vários estados, nenhuma em Salvador, sede do jornal. Uma das ações foi extinta.

O próximo alvo é o jornal O Globo, também do Rio. Fiéis prometem processar o jornal por causa da reportagem Igreja Universal tenta intimidar jornalistas, em que a Universal é tratada como "seita". As ameaças de acionar a Justiça contra O Globo foram feitas em uma reportagem exibida no Domingo Espetacular, o programa dominical da Rede Record do bispo Macedo. Na reportagem, de longos 14 minutos, fiéis se dizem ofendidos e prometem recorrer à Justiça contra o jornal. Um dos fiéis ouvidos pela repotagem cotna que procurou o departamento jurídico da igreja, que o orientou a ingressar com a ação.

O Domingo Espetacular ainda destacou um texto do jornal Correio do Povo, pertencente à Rede Record, no Rio Grande do Sul, intitulado Justiça impõe derrota à Folha de S. Paulo em ações de fiéis da Igreja Universal, sobre o pedido rejeitado feito pela Folha para que todas as ações fossem concentradas em uma só cidade. A reportagem não faz nenhuma menção às decisões judiciais desfavoráveis a Igreja já proferidas.

A mesma dor

Nos processos contra a Folha, os fiéis sustentam que a jornalista Elvira Lobato “insinuou” que os membros da Universal são inidôneos e que o dízimo pago por eles é produto de crime. Disseram ainda que ouviram gozações de conhecidos. As petições são iguais, com parágrafos e citações bíblicas idênticas.

O dano narrado pelas partes também é idêntico: “O autor [da ação] passou a ser apontado por seus semelhantes com adjetivos desqualificantes e de baixo calão, além de ser abordado com dizeres do tipo: 'Viu só! Você que é trouxa de dar dinheiro para essa igreja!' 'Esse é o povo da sua igreja! Tudo safado!' 'Como é que você continua nessa igreja? Você não lê jornal, não?' 'É. Crente é tudo tonto, mesmo'.”

Dois juízes condenaram fiéis autores de ações por litigância de má-fé. “O Judiciário não pode admitir que seja usado, por quem quer que seja, para atingir objetivo ilegal, devendo repelir com veemência tais práticas”, sentenciou a juíza Zenair Ferreira Bueno Vasques Arantes, titular da comarca de Xapuri (AC). O fiel Maurício Muxió dos Santos foi condenado a pagar custas processuais e honorários advocatícios no valor de R$ 1,2 mil, além de multa de 1% sobre o valor da causa por má-fé.

“É evidente que a propositura das ações indenizatórias constituem retaliação orquestrada às matérias jornalísticas publicadas no jornal”, afirmou Zenair. Segundo ela, o fiel não foi mencionado no texto publicado pela Folha. Por isso não tem razão para pedir indenização. “Mesmo com muito esforço é impossível acreditar que fiéis, nos mais distantes rincões do país, tenham sido abordados como os mesmos dizeres”, afirmou.

O juiz Alessandro Leite Pereira, de Bataguaçu (MS), foi outro que condenou um fiel por má-fé. “O Poder Judiciário está sendo utilizado pelo autor para o fim espúrio de prejudicar os demandados, tendo em vista que diversas demandas, com a mesma causa de pedir e pedido, foram distribuídas pelos variados rincões do país, em localidades de difícil acesso, sendo nítida a intenção do autor, como também dos demais demandantes nas ações mencionadas, de dificultar a defesa dos réus”, escreveu Pereira na sentença. O juiz condenou Carlos Alberto Lima a pagar custas, despesas e honorários, que arbitrou em R$ 800 (1% do valor da causa).

O juiz Luís Henrique Lins Galvão de Lima, da comarca de Porangatu (GO), julgou improcedente a ação de indenização proposta por Aleksander Ferreira dos Santos. Em sua decisão, o juiz afirmou que sentenciava antes da audiência de conciliação “a fim de evitar que esta aventura jurídica vá avante e consuma o tempo e os recursos necessários aos processos de alta relevância para a sociedade”.

O juiz Edinaldo Muniz dos Santos, titular da comarca de Epitaciolândia (AC), extinguiu o processo em que Edson Duarte Silva pretendia obter indenização. O juiz entendeu que há um “assédio judicial”, ou seja, “uma atuação judicial massificada e difusa da Igreja Universal contra o jornal”. Outro pedido foi negado pelo juizado de Catolé do Rocha (PB).

Procurada pela reportagem, a Igreja Universal não se manifestou.

Autor: Revista Consultor Jurídico Fonte: ANTONIO QUEIROZ
http://www.estadaodonorte.com.br/

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

China e Rússia temem corrida armamentista após derrubada de satélite

da Folha Online

Rússia e China afirmaram nesta quinta-feira que a destruição pelos Estados Unidos de um satélite espião defeituoso com a utilização de um míssil pode levar a uma corrida armamentista no espaço.

O governo norte-americano insiste que a operação de derrubada ocorreu devido a questões de segurança, já que o satélite USA 193 perdeu controle pouco depois de seu lançamento, em 2006, e carregava combustível tóxico que poderia ser liberado em uma grande área, colocando vidas em risco.

Ainda assim, a China exigiu que os Estados Unidos forneçam todas as informações disponíveis a respeito da destruição do satélite.

Um porta-voz do Ministério do Exterior Chinês em Pequim, Liu Jianchao, afirmou que teme o impacto da operação norte-americana na segurança no espaço.

"A China continua monitorando o possível dano à segurança no espaço e o possível dano à segurança de outros países", afirmou o porta-voz.

"Exigimos que os Estados Unidos cumpram suas obrigações internacionais e esclareçam a comunidade internacional com os dados e informações necessárias para que os países interessados possam tomar as medidas preventivas", acrescentou.

A Rússia também criticou a operação, que considerou um pretexto para os Estados Unidos testarem armas de defesa anti-satélite, em resposta a uma demonstração realizada pela China no ano passado.

O Ministério do Exterior russo argumenta que outros satélites já se chocaram contra a Terra no passado sem que isso exigisse "medidas extraordinárias".

Críticas americanas

Em 2007, os Estados Unidos criticaram a China quando o governo chinês fez um teste semelhante à operação norte-americana desta quarta-feira, derrubando um satélite meteorológico obsoleto com um míssil balístico terra-ar de médio alcance.

Na época, os norte-americanos afirmaram que a ação da China foi uma ação militar deliberada e secreta. Nesta quarta-feira, os Estados Unidos usaram um sistema de armas que é parte de seu programa de defesa de mísseis.

Especialistas afirmam que, de qualquer forma, a operação norte-americana desta quarta-feira oferece informações importantes em termos de defesa com mísseis e sobre possíveis operações de destruição de satélites no futuro.

O que não ajuda os Estados Unidos é o fato de que o governo de George W. Bush foi contra uma proposta de tratado da Rússia e da China que proibiria o uso de armas no espaço.

O governo norte-americano afirma que é a favor do livre uso do espaço, mas é contra a limitação de suas opções militares.

Estados Unidos e Rússia já fizeram experiências com armas contra satélites durante a Guerra Fria. Os Estados Unidos chegaram a derrubar um satélite em um teste há 22 anos.

Folha Online

BBC Brasil

Site esportivo se defende de denúncias feitas por blogueiro e Juca Kfouri

Por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA

No dia 23 de janeiro de 2008, o Portal IMPRENSA publicou uma reportagem sobre as denúncias feitas pelo "blog do Paulinho", dedicado à cobertura esportiva, que veiculou uma série de e-mails que teriam sido trocados por dois importantes nomes do site Futebol Interior, também especializado no mundo esportivo.

Com o título, "Uma das maiores vergonhas do jornalismo brasileiro", Paulinho iniciava a denúncia contra Artur Eugênio Mathias, dono do site, e Edgar Soares, um de seus principais colaboradores. A publicação dos e-mails tinha o objetivo de apresentar provas de que o Futebol Interior cobraria para falar bem de determinados clubes ou dirigentes, além de direcionar o conteúdo editorial do veículo.

Todas essas denúncias foram repercutidas, também no dia 23 de janeiro, pelo blog do Juca Kfouri, que deu créditos à Paulinho, afirmando que não havia nada melhor do que "voltar de férias e ver um blog de um jovem revelar a escuridão de velhos métodos que ainda teimam em ferir a credibilidade do jornalismo".

No entanto, na última quarta-feira (20), o site Futebol do Interior, que na ocasião não havia se pronunciado sobre as denúncias, publicou uma reportagem afirmando que Kfouri, Paulinho e Leandro Santiago, ex-funcionário da empresa, teriam violado e manipulado os e-mails exclusivos do portal.

Na nota, o site afirma que "por meio de rastreamento, apurou-se que o ex-funcionário do Futebol Interior, Leandro Santiago, invadiu criminosamente o servidor de e-mails da empresa e passou a monitorar, alterar conteúdo e passar as informações para o jornalista Juca Kfouri. Este, aliciando o tal Paulinho (afinal, quem é este cara, que a todos critica, mas não mostra a cara?) com informações mentirosas, desonestas, manipuladas e fraudulentas, o incentivou a publicar em seu blog as correspondências eletrônicas, obtidas de maneira criminosa".

Dessa forma, o Futebol Interior publicou uma série de e-mails que teriam sido trocados entre Santiago e Kfouri. "Os infratores serão cobrados na Justiça pelos prejuízos acumulados por danos morais, perdas econômicas e financeiras", diz o site.

Na última terça-feira (19), o blog do Paulinho saiu do domínio UOL e, em seu post no novo endereço, o blogueiro afirmou que tomou a decisão "de não se curvar perante a censura". Ao Portal IMPRENSA, Paulinho afirmou que as denúncias do Futebol Interior são "delírios de gente desesperada que foi pega com a mão na massa".

Sobre a saída de seu blog do domínio UOL, Paulinho afirmou que " já saiu do ar duas vezes. Uma por pressão de Artur Eugênio. Voltou. Na segunda, fui notificado que deveria retirar uma publicação que citava o site mencionado (Futebol Interior). Não concordei com a notificação e preferi sair de lá".

Procurado pelo Portal IMPRENSA, Juca Kfouri afirmou que não irá responder "a quem não merece" e que o site Futebol Interior não "cuida da febre, mas sim quebra o termômetro". O jornalista esportivo declarou conhecer Leandro Santiago, "não pessoalmente", e confirma que trocou e-mails com ele.

No entanto, afirma: "Não invadi correspondência de ninguém, como eles (Futebol Interior) fizeram. Troquei e-mails que foram editados. É só comparar com os e-mails inteiros que o Paulinho publicou, e ver quem faz jornalismo e quem não faz. Interesse público acima de tudo", finaliza.

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Rosane Collor fala das relações do ex-presidente com magia negra

Em entrevista à Folha Universal, a ex-primeira dama Rosane Collor revelou detalhes de práticas de magia negra promovidas pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello, com quem foi casada por 21 anos.

Segundo Rosane, ele recorria aos rituais sempre que alguém fazia algum mal contra ele, porque na visão de Collor tudo de ruim que mandassem para ele tinha que ser devolvido. Para isso, sacrificava animais como boi, galinha, entre outros.

Hoje, Rosane afirma que freqüenta a igreja evangélica com a mesma mãe-de-santo que trabalhava para Collor e ela nos tempos de Casa da Dinda, local onde eram feitos os rituais. “Reafirmo o que eu disse em entrevista à Revista Veja, de que o Fernando Collor recorria a rituais de magia negra para se manter no poder”, completa.

Ela conta que após o impeachment teve medo que Collor cometesse suicídio, devido a depressão que ele ficou. Até as armas que tinham dentro de casa foram retiradas para evitar a tragédia, como lembra Rosane.

Apesar da situação e de inúmeros comentários de que Collor consumia drogas como cocaína, Rosane disse que nunca o viu se utilizando desses meios para fugir dos problemas, nem mesmo da cocaína, como foi dito na imprensa, e mesmo quando o via agressivo e com os olhos vermelhos perguntava se ele tinha consumido algo e ele negava.

Ela justifica os olhos vermelhos e a agressão aos efeitos das bebidas alcoólicas freqüentes no dia-a-dia do ex-presidente.

Apesar da pensão de R$ 11,8 mil mensais que recebe do ex-marido, Rosane Collor ainda diz que amarga algumas indelicadezas promovidas pelo ex-presidente, um homem ainda bastante poderoso no meio político.

Ela conta que ainda luta na Justiça para repartir os bens do casal, lembrando que o senador tem uma frota de carros como Mercedes, BMW e Cherokee e que para ela deixou apenas um carro velho que não anda e está todo quebrado. “Só estou de carro porque ganhei do meu pai um Fiesta, senão estaria a pé”, reclama.

Rosane quer ainda a partilha das casas, coberturas, que ela diz que ele tem em Maceió, casa de praia, um “baita” apartamento em São Paulo e fazenda. “Não acho justo não ter a minha parte”, considera.

As tragédias não foram poucas na vida de Rosane Collor, como ela retratou na entrevista. Nos últimos quatro anos, ela perdeu uma gravidez de três meses, onde esperava suas duas filhas gêmeas, sua mãe faleceu e ainda ficou sabendo de sua separação com o ex-presidente através da imprensa em 2005.

Sem contar da notícia sobre o casamento com a arquiteta Caroline Medeiros, com quem hoje tem duas filhas gêmeas. “Eu via ele fazendo coisas contras os outros e não achei que eu seria o alvo. Minha mãe me alertou várias vezes contra isso. Só que ele vai pagar depois, vai sofrer”.

Tudo isso sem falar na situação complicadíssima que ela diz que ficou após a separação. Collor cancelou as contas bancárias conjuntas e os cartões de crédito. “Vejo que ele (Collor) mostrou que o sentimento que ele passou na época do impeachment não o ensinou nada. Eu creio que Collor foi meu grande amor, mas minha maior decepção”, concluiu Rosane

por Viviane Chaves com informações da Folha Universal

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Al-Qaeda utiliza doentes mentais em atentados suicidas

Como parte da investigação, Sahi Abub al-Maliki, administrador do principal hospital psiquiátrico de Bagdá, Al-Rashad, foi preso na semana passada para ser interrogado sobre um eventual vazamento de fichas médicas ou informações sobre pacientes


Contra-almirante Gregory Smith cogita conexão entre hospitais e clínicas(Foto: WATHIQ KHUZAIE/AFP)

A rede terrorista Al-Qaeda no Iraque teve acesso aos arquivos dos hospitais psiquiátricos e está utilizando a informação para recrutar suicidas entre mulheres que sofrem doenças mentais, denunciou o Exército dos Estados Unidos. As duas mulheres que transportavam explosivos e detonaram suas cargas em um mercado de animais domésticos de Bagdá no dia 1º de fevereiro, matando 100 pessoas, foram tratadas em hospitais psiquiátricos da capital iraquiana nas semanas anteriores aos ataques, afirmou o porta-voz militar dos Estados Unidos, contra-almirante Gregory Smith.


"Nós acreditamos que a Al-Qaeda pode ter entrado em contato com elas individualmente, longe de suas famílias, recrutando-as para estes ataques bárbaros, declarou o contra-almirante. O alto oficial acredita que os métodos e detalhes sobre os contatos podem ser revelados pelos funcionários dos hospitais. "Nós tememos que a Al-Qaeda tenha obtido arquivos de hospitais psiquiátricos", disse.

"Achamos que existe uma conexão entre vários hospitais e clínicas. Estas suicidas foram identificadas por nossos investigadores, que mostraram fotos das mulheres aos moradores da região, assim como a vários diretores de hospitais psiquiátricos", acrescentou Smith.

Uma das mulheres envolvida havia sido tratada por esquizofrenia e depressão durante vários meses como paciente ambulatória no hospital Ibn Rushd. Ela disse aos médicos que escutava vozes que pediam seu suicídio.

A outra mulher também tinha um histórico de doença mental e era tratada, também de forma ambulatorial, em outra clínica, que Smith não identificou. "Ambas tinham uma capacidade mental reduzida", disse. Porém, as afirmações das autoridades iraquianas de que as duas sofriam de síndrome de Down não parecem ser apoiadas por seus antecedentes psiquiátricos: Uma mulher usava uma mochila repleta de explosivos e a outra colete suicida. Não há indicações de que se conheciam.

Como parte da investigação, Sahi Abub al-Maliki, administrador do principal hospital psiquiátrico de Bagdá, Al-Rashad, foi preso na semana passada para ser interrogado sobre um eventual vazamento de fichas médicas ou informações sobre pacientes. No entanto, Smith disse que nenhuma das mulheres foi tratada no hospital Al-Rashad.

O diretor do hospital Ibn Rushd, Shalan al-Abbudi, confirmou que uma mulher identificada pelo Exército americano como uma das suicidas do mercado recebeu tratamento em seu centro médico. Abbudi acrescentou que a mulher foi diagnosticada com esquizofrenia com sintomas depressivos e alucinações auditivas.

"Vozes que a ordenavam que se matasse. Ela recebeu o tratamento apropriado e terapia de electrochoque", disse. Também afirmou que ninguém de sua instituição, que trata casos de doenças mentais agudas, estava envolvido. "Nenhuma informação dos arquivos de meu hospital foi entregue para ninguém de fora, por nenhum motivo", insistiu
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Família de ex-deputado quer retomar controle da TV Globo de São Paulo

Será examinado pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça o recurso especial contra o espólio do empresário Roberto Marinho no qual a família Ortiz Monteiro protesta contra a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que julgou prescrita a ação por meio da qual a família pretende retomar o controle acionário da TV Globo de São Paulo (ex-Rádio e Televisão Paulista S/A). O ministro João Otávio de Noronha deu provimento ao agravo de instrumento interposto pela defesa, determinando a subida do recurso especial.

Na ação declaratória de inexistência de ato jurídico ajuizada pela representante do espólio de um dos fundadores, Regina Marietta Junqueira Ortiz Monteiro, a defesa alega que a transferência do controle acionário para o empresário Roberto Marinho foi realizada por meio de documentos considerados enganosos pelos herdeiros dos antigos controladores da então Rádio e Televisão Paulista S/A. Afirma, ainda, que a transferência foi obtida por US$ 35 dólares, conforme constaria de recibo com o valor equivalente è época.

Segundo informações do processo, a antecessora da TV Globo Ltda. foi fundada por Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro, Hernani Junqueira Ortiz Monteiro, Manoel Vicente da Costa e Manoel Bento da Costa, titulares de 52% do capital social da empresa entre os anos de 1952 e 1977. Essa participação seria representada por 15.099 ações ordinárias e preferenciais, sendo o restante, 14.285, distribuídas entre outros 650 acionistas. A primeira transferência teria ocorrido em 5 de dezembro de 1964. Na segunda, em 23 de julho de 1975, um contrato de transferência para o mesmo comprador pretendia sanar eventuais irregularidades presentes no negócio anterior.

Para a defesa, os documentos seriam apócrifos e montados, de acordo com o laudo emitido pelo Instituto de Datiloscopia Del Picchia, já que os originais estariam desaparecidos. “A transferência ocorreu com irregularidades, mediantes diversos documentos (...) mal redigidos e com imprecisões, sem qualquer registro nos órgãos competentes, sem firmas dos signatários reconhecidas, bem como um dos cedentes já seria falecido à época”, asseverou o advogado.

Nas procurações, datadas de 1953 e 1964, estariam anotados ainda os números de CPF dos representantes de Roberto Marinho, com endereços falsos. Para a defesa, isso seria indicação da ilegalidade, já que o cadastro de controle da Receita Federal, conhecido como CIC ou CPF só foi instituído na década de 70.

Em primeira instância, foi aceita a tese de prescrição. Insatisfeita, a família apelou, mas o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve a decisão. A defesa interpôs, ainda, embargos declaratórios, mas foram rejeitados. No recurso para o STJ, a defesa pretende modificar a decisão que declarou a prescrição para que sejam examinadas as alegações de ilegalidade na transferência do controle acionário.

Processo nº Ag 862252

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Brasileiro detido no Líbano como suspeito de terrorismo

O médico mora em Cuiabá e havia ido com a esposa buscar os filhos no Líbano. Cidadão libanês com o mesmo nome de Mohammed Kassen pode estar na lista de procurados por terrorismo pelas autoridades

A Polícia libanesa prendeu na semana passada o médico-pediatra brasileiro Mohammed Kassen Omais, acusando-o de, possivelmente, integrar uma lista de procurados por atividades terroristas. Omais, que mora em Cuiabá (MT) com a mulher, Gisele do Couto Oliveira, foi detido na última sexta-feira, 15, logo depois que os dois desembarcaram em Beirute, provenientes do Brasil, segundo informou ontem o G1 (portal de notícias da Globo).

O médico está isolado sem que as autoridades libanesas permitam que seja visitado pela família ou por representantes do Consulado brasileiro. Oficiais da Polícia libanesa disseram à BBC Brasil que Omais foi transferido a uma carceragem do setor de inteligência das Forças de Segurança Interna (FSI) do Líbano, em Beirute.

"Tudo que podemos dizer é que o caso dele é relativo a envolvimento com terrorismo e que seu nome consta em uma lista de procurados", afirmou um deles. Omais e Gisele foram ao Líbano buscar os três filhos, em férias desde dezembro com os avós na cidade de Qaraaoun, no vale de Bekaa, Leste do país.

Era para ser apenas uma visita familiar e a volta estava marcada para o próximo dia 28. No aeroporto, após a esposa passar pelo controle de imigração, autoridades libanesas anunciaram a prisão de Omais, que foi levado para interrogatório em seguida. "A reação dele foi de choque", disse Gisele.

Gisele considerou a acusação contra o marido sem fundamento, já que Omais jamais esteve ligado a movimentos políticos, tanto no Brasil quanto no Líbano. "Ele nasceu e viveu no Brasil, tem pouca ligação com o Líbano. Ele é mais turista aqui do que cidadão libanês", completou.

Segundo o advogado da família, Ayad Fares, o "Mohammed Kassen Omais" que consta na lista de procurados por atividades ligadas ao terrorismo é um homônimo do brasileiro. "O que sabemos até agora é que a pessoa procurada pela Polícia seria natural da cidade de Tiro, no Sul do país. Eles, inclusive, compartilham o mesmo nome do pai, diferindo, apenas, no nome da mãe", disse Fares. Gisele afirmou que, desde a prisão, Omais ligou duas vezes para a família e disse que estava sendo bem tratado.

O cônsul do Brasil em Beirute, Michael Gepp, disse à BBC Brasil, ainda conforme o G1, que tomou conhecimento da prisão na segunda-feira, 18, por meio de outro brasileiro, amigo da família de Omais. "Imediatamente entrei em contato com as autoridades libanesas para obter informações. Mas elas não estão permitindo nenhum contato com ele, nem mesmo a família ou seu advogado", explicou.

Gepp disse que, caso o governo brasileiro não tenha acesso a Omais até hoje, o Consulado pode decidir tratar a prisão como um incidente diplomático. O cônsul não sabe informar a quais acusações Omais responde, nem se ele teve envolvimento em atividades ilegais. "Como cidadão brasileiro, ele tem direito a uma assistência do Consulado", disse. (das agências de notícias)


RAIO X DO PAÍS

Nome oficial: República Libanesa
Capital: Beirute
População: 3,7 milhões de habitantes, dividida entre árabes libaneses e sírios, palestinos, curdos, armênios e drusos
Área: 10.452 km

Idiomas: Árabe (oficial), francês, curdo e armênio
Religiões: Islamismo, Cristianismo (dividido em católicos, ortodoxos, protestantes e outros
Governo: República parlamentarista
Moeda: libra libanesa (cotação: 1.509,00 equivalem a US$ 1,00)
História: Na antiguidade, o território libanês abrigou a Fenícia. Invadido por diversos povos, depois da Primeira Guerra Mundial ficou sob mandato francês. A independência foi proclamada em 1941. Apesar de uma rápida intervenção norte-americana em 1958, o país manteve a reputação de Suíça do Oriente Médio nas décadas de 1950 e 1960. Mas a guerra civil de 1975 a 1990, envolvendo uma invasão síria em 1976, além das intervenções israelenses de 1978, 1982 e 2006 devastaram o país. A situação política continua instável.

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