segunda-feira, 16 de março de 2009

Quanto vale Ronaldo?

Quanto vale Ronaldo?

O jogador Ronaldo virou atração nacional pelo seu desempenho nos últimos jogos, quando transmitiu a imagem de que estava renascendo das cinzas --até pouco tempo, só se falava nas suas contusões, no seu peso e, para completar, em seus escândalos sociais, metido no mundo das celebridades. A gordura era a tradução do descaso, da falta de responsabilidade, de foco. Afinal, já tem tanto dinheiro, por que se esforçar? Mas será que ele pode ser tornar um bom exemplo educativo para os jovens?

O psiquiatra Içami Tiba, especialista em educação, comentou comigo que o jogador está dando uma amostra de resiliência, ou seja, a habilidade de não perder a garra, depois dos traumas --no meu site, aprofundo o conceito de resiliência. É algo, segundo ele, que se desenvolve em casa e, depois, na escola.

É consenso entre educadores que se dissemina a chamada "Geração Tanto Faz", composta de crianças e adolescentes cercadas de proteção e, por isso, sem treino para suportar obstáculos e frustrações. Tudo tem de ser fácil e imediato --e divertido. Falar que a conquista de amanhã depende do esforço de hoje faz pouco efeito.

Criam-se assim seres fracos, sem projetos, incapazes de enfrentar desafios --portanto, dependentes.

Com seu culto às celebridades, que valem não por quanto pesam, mas pelo que aparentam, a sociedade reforça o estímulo da "Geração Tanto Faz". Gente que não fez nada vira sucesso, basta ficar uns dias no "BBB". Some-se a isso que, por falta de projetos coletivos, o consumo se transformou quase num vício, estimulando a busca do prazer imediato e descartável.

Se Ronaldo continuar nesse ritmo, treinando duro, se aplicando, acabaria sua carreira por cima. Talvez nunca mais volte à seleção --mas terá agido como educador. É muito melhor do que ser lembrado pelos escândalos sexuais.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

quarta-feira, 11 de março de 2009

Os tentáculos da santíssima violação de leis e direitos

Em nome de Deus

Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, que me perdoe (ou não, o problema é dele), mas a atitude que tomou no caso do aborto da menina estuprada pelo padrasto leva a crer que vive nas trevas dos tempos da Inquisição. As declarações do severo guardião de Deus sobre a mãe da menina e dos médicos responsáveis pelo aborto foram absolutamente infelizes, desumanas e impiedosas. Da boca do arcebispo não saiu uma única palavra para condenar o monstro que estuprou a enteada desde os 6 anos de idade e a engravidou de gêmeos aos 9. Para ele estuprar crianças é pecado, mas do tipo leve.

Mais grave que esse tipo de violência sexual, afirma, é "o aborto, a eliminação de uma vida inocente." Por quem sois, dom José, quem é mais passível de castigo, o tarado infame ou os médicos, que, queira ou não, salvaram a vida da menina? Talvez o arcebispo não se lembre mais do que disse Cristo sobre os que atentam contra a inocência das crianças, coisa que aprendi nos velhos tempos do catecismo.

Aquela dura e impressionante condenação, aquela inapelável recomendação de que se amarrasse o tarado a uma pedra de moinho e em seguida o atirasse ao mar. Enquanto o tribunal de dom José expõe seu arcaico fundamentalismo, centenas de templos evangélicos, espíritas, umbandistas e outros menos votados seguem recolhendo legiões de ex-católicos indignados com a hipocrisia de padres e bispos que vivem num mundo irreal, absurdo e injusto.

Indiferente a isso, o arcebispo de Olinda e Recife segue acreditando que sua hóstia contém mais Deus. Lá nas alturas, rodeado de arcanjos, o Criador deve estar envergonhado do que fazem em seu nome. Cá em baixo, ficamos sem saber se devemos implorar ao diabo que proteja nossas crianças da ação criminosa e imperdoável dos padres pedófilos que nunca foram punidos pelas leis humanas e muito menos excomungados.

Angelo Prazeres
http://www.otempo.com.br/supernoticia/colunas/?IdEdicao=592&IdColunaEdicao=1406

Os tentáculos da santíssima violação de leis e direitos

por Fatima Oliveira*

A semana passada foi repleta de temas polêmicos e angustiantes na esfera política. ''Conversadeira'' de nascença, desejo palpitar em todos. É espacialmente impossível. No aspecto pessoal, estou no olho de uma pororoca.

(...) Vide o caso da menina de Alagoinha (PE), de 9 anos, violentada pelo padrasto, que engravidou de gêmeos. Correndo risco de vida, teve o duplo direito de interromper a gravidez. Por exercer seus direitos, foi excomungada, juntamente com a mãe, os profissionais de saúde que a atenderam e todas as pessoas que a socorreram em tão dolorosa situação. Ninguém merece os delírios do arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, o excomungador!

Até o presidente Lula rompeu o silêncio com que tem agraciado a sua Igreja: ''Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja Católica tenha um comportamento conservador como este. Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho, até porque a menina corria risco de vida. Acho que, neste aspecto, a medicina está mais correta do que a Igreja. Eu estou dizendo que a medicina está mais correta que a Igreja, e fez o que tinha que ser feito: salvar a vida de uma menina de 9 anos''.
Discurso perfeito!

Compartilho uma ponderação do dr. Roberto Arriada Lorea, juiz de direito em Porto Alegre, meu colega no Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR): ''Merece atenção a resposta do arcebispo, quando afirma que a lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Numa democracia, a lei de Deus não pode estar acima da lei dos homens, pois é dever do Estado garantir a igual liberdade religiosa de todos os cidadãos, respeitadas a diversidade de crenças e visões de mundo, inclusive daqueles que não creem. A excomunhão, portanto, serve de alerta. Se hoje os cidadãos não precisam temer represálias religiosas quando exercem seus direitos, é porque em 1890 foi decretada a separação Estado-igrejas, garantindo-se a inviolabilidade de consciência e de crença. Antes disso, a pena de excomunhão surtia efeitos no mundo jurídico, podendo vitimar os cidadãos com a chancela do Estado-juiz.

Naquele largo período da história brasileira, fundamentalistas religiosos, como o arcebispo de Recife e Olinda, tinham muito poder, pois pecar era ilegal. Está nas mãos do Congresso Nacional preservar a separação Estado-igrejas, rejeitando a concordata assinada por Lula e Ratzinger em 2008, a qual viola o artigo 19, I, da Constituição Federal, estabelecendo uma aliança com a Igreja Católica, colocando-a acima das demais religiões professadas no Brasil, em detrimento das liberdades individuais''.

*Fatima Oliveira, Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e
Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=52150

Frei Betto: Igreja está 'encastelada' e não vê a realidade

Mais do que ter dificuldade para se adaptar à realidade atual, a Igreja Católica “fica encastelada em seu principismo abstrato”. A opinião é do frade dominicano e escritor Frei Betto.

Em entrevista à repórter Michelle Amaral, do Brasil de Fato, ele comenta os dois casos recentes envolvendo representantes da Igreja Católica: a excomunhão dos envolvidos no aborto da menina pernambucana de 9 anos e o afastamento do padre Luiz Couto de suas atividades eclesiásticas em decorrência das declarações controversas às da doutrina católica

Segundo Frei Betto, tais exemplos explicam como o conservadorismo ainda defendido pela Igreja — em contrapartida à realidade do povo — contribui para o afastamento de seus fiéis. Nas duas situações, o posicionamento da Igreja causou grande polêmica.

Dom José Cardoso Sobrinho excomunhou a mãe e a equipe médica que realizaram o aborto de uma menina de 9 anos, que foi violentada por seu padrasto e acabou grávida de gêmeos. Sem considerar os riscos que a menina corria, Dom José afirmou que cumpria uma lei católica.

No caso do padre Luiz Couto, Dom Aldo di Cillo Pagotto o suspendeu do uso de Ordem até que se retrate em público sobre declarações feitas por ele em uma entrevista, na qual defende o fim do celibato, o uso de preservativos e o combate à discriminação de homossexuais. O padre é também deputado federal e atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minoria (CDHM) da Câmara dos Deputados.

Confira a entrevista.

Como o sr. avalia a posição da Igreja Católica frente a estes dois recentes casos, da excomunhão (por Dom José Cardoso Sobrinho) pelo aborto da menina de 9 anos e do afastamento do padre Luiz Couto (por Dom Aldo Pagotto) por suas declarações controvérsias ao pensamento conservador católico?
Penso que demonstram a dificuldade de a Igreja Católica se adaptar à realidade atual. Comparo a atitude do arcebispo de Olinda e Recife com a de Jesus diante da mulher adúltera... Que diferença! Jesus foi capaz de compreender, perdoar, acolher.

Os médicos agiram corretamente, para salvar a vida da menina e evitar o risco de três mortes. E manifesto todo o meu apoio ao padre Luiz Couto, de quem sou amigo e admirador.

Dessa forma a Igreja se afasta da realidade vivida pelas pessoas atualmente?
Sim, a Igreja fica encastelada em seu principismo abstrato, sem considerar o que a teologia chama de "moral de situação", a partir da realidade concreta. Assim, os fiéis buscam outras denominações religiosas, onde se sentem mais acolhidos pela compaixão, o perdão, a misericórdia divina manifestada através de seus pastores. A cada ano a Igreja Católica perde, no Brasil, 1% dos fiéis.

Para um católico, o que representa a excomunhão?
A exclusão da instituição eclesiástica e da participação em seus sacramentos, jamais a ruptura com Deus e com o próximo.

As mudanças propostas por Luiz Couto fazem parte de um debate estabelecido por muitos segmentos da sociedade e da própria igreja. O senhor acredita que a polêmica em torno de seu afastamento, pode contribuir para que essas propostas ganhem mais força?
É bom esclarecer aos leitores que o padre Luiz Couto foi suspenso de ordens — proibido de celebrar os sacramentos — por defender o fim do celibato e da discriminação aos homossexuais, bem como o uso de preservativos. Acho que ele está coberto de razão.

A Igreja teve apóstolos casados, como Pedro (Jesus curou a sogra dele), e sacerdotes casados nos primeiros séculos. A vocação ao sacerdócio não coincide necessariamente com a vocação ao celibato.

Quanto à homossexualidade, defendo que é uma tendência natural do ser humano e, como tal, deve ser respeitada, e não discriminada ou condenada como ocorria em sociedades patriarcais, machistas, como as que estão espelhadas no Antigo Testamento. E concordo com o cardeal Arns quanto ao preservativo: é um mal menor frente à epidemia que leva à morte milhões de pessoas.

E como a Igreja deveria se posicionar?
Sempre em favor da vida e do amor, como o que une um casal do mesmo sexo.

De que forma a Teologia da Libertação contribui para as mudanças na forma de se praticar o cristianismo da Igreja Católica?
A Teologia da Libertação faz uma nova leitura das fontes da revelação cristã, como o Bíblia e a tradição da Igreja, assim como fizeram Santo Agostinho, no século 4, e Santo Tomás de Aquino, no século 13.

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=52178

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Carta aberta a Jarbas Vasconcelos. Por Edilson Silva

Carta aberta a Jarbas Vasconcelos. Por Edilson Silva

Por Edilson Silva

Caro senador Jarbas Vasconcelos, quero parabenizar-lhe pela coragem de ir a um dos semanários mais lidos do país e tocar de forma tão direta em um tema que incomoda tanto o nosso povo: a corrupção e a falta de ética na política. Ao fazê-lo, o senhor se soma a um forte sentimento de repulsa presente na população à forma como a imensa maioria dos políticos e partidos atuam.

Contudo, senador, é preciso se perceber e constatar que o modus operandi hegemônico na política brasileira, esta corrupção sistêmica, é já uma construção cultural, fruto de um processo histórico, processo que tem na sua biografia uma nada desprezível contribuição.

O senhor já foi prefeito de Recife e já governou o estado de Pernambuco por mais de uma vez. Quando nestes cargos, que são executivos, o que efetivamente o senhor fez para combater a construção desta hegemônica prática corrupta? A história diz que nada. Ao contrário, seus governos foram marcados pela ousadia em unir sua biografia de combate à ditadura com outras ligadas ao atraso, oligarquias tão nefastas à sociedade como a liderada por José Sarney, tão criticado em sua entrevista.

A União por Pernambuco, por exemplo, que uniu o seu PMDB ao então PFL e ao PSDB, e que governou através de sua pessoa nosso estado de 1998 a 2006, é parte da plataforma que cria e sustenta as condições políticas para que figuras como Renan Calheiros sobressaiam-se nacionalmente como lideranças. Renan não é fruto apenas de suas próprias maldades, mas de um ambiente político acolhedor às suas práticas, ambiente que o senhor, senador, vinha ajudando a manter com indisfarçável zelo.

O senhor fala em sua entrevista em reforma política para combater este estado de coisas na política, e nisto tenho muito acordo. Porém, senador, não há reforma política que tenha efeitos positivos quando as populações são tratadas única e exclusivamente como eleitores, vítimas fáceis de todas as manipulações já bem estruturadas nas eleições de seus supostos representantes.

Não seria interessante se a reforma política viesse acompanhada da construção de mecanismos de participação popular e efetivo controle social sobre o Estado, em que a sociedade civil, a população organizada, fosse ouvida e respeitada? Pois também neste aspecto, senador, o senhor não contribuiu quando podia. Ao contrário, quando governador, por quase oito anos, o senhor virou as costas para a sociedade organizada, transformando o Palácio do Campo das Princesas numa fortaleza militar, que simbolizava a falta de diálogo com importantes atores sociais.

Os movimentos sociais, a meu ver parte fundamental no exercício da democracia, foram criminalizados em seu governo, tratados com cavalaria, cães e spray de pimenta. Seu governo cortou a consignação do sindicato dos professores e também do sindicato dos fazendários, buscando asfixiá-los para que não pudessem reivindicar seus pleitos, para que não pudessem questionar seu governo. Essas ações, senador, contribuíram para que a política se apequenasse, ajudando a que "Renans" e "Sarneys" ganhassem força.

Outra coisa que talvez o senador não tenha percebido é que o projeto neoliberal, que tem em vossa senhoria um entusiasta, é uma doutrina que institucionaliza na prática a privatização da política. A ideologia do mercado é transformar tudo em mercadoria, da fé à política. O senhor defende, inclusive na referida entrevista, mais e mais neoliberalismo, mais reforma da previdência, mais privatizações. A ética do mercado, senador, se justifica no lucro e não no bem estar da sociedade. Parece-me contraditório seu discurso também neste aspecto.

Apesar de todas estas contradições, insisto em parabenizar-lhe pela entrevista, e torço para que leve as denúncias adiante e reveja também, por coerência, a sua forma de fazer política, irradiando esta nova fase aos seus muitos comandados em nosso estado. Do contrário, parecerá que sua entrevista foi o desabafo, no melhor estilo Jarbas, de uma liderança asfixiada e amargando os apertos de ser oposição em todos os níveis de governo.

Tenha um excelente carnaval, senador.

Atenciosamente, Edilson Silva.

Presidente do PSOL/PE
http://jc.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2009/02/20/carta_aberta_a_jarbas_vasconcelos_por_edilson_silva_41478.php

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Globo não deu pesquisa com popularidade recorde de Lula

Globo não deu pesquisa com popularidade recorde de Lula

Leitores escrevem para confirmar: o Jornal Nacional de terça-feira, mais uma vez, divorciou-se da notícia. A Globo não deu a pesquisa CNT/Sensus, em que Lula — apesar da crise econômica — bate recorde de popularidade (84%).

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador

Isso é notícia em qualquer lugar do mundo. Menos na Globo.

Confirmei o fato, também, com algumas boas fontes que mantenho na Redação da TV Globo. Uma dessas pessoas disse-me que é escancarada a intenção de favorecer Serra, especialmente na cobertura dos telejornais locais em São Paulo.

Como escrevi há pouco, nada mais me espanta nas atitudes de Ratzinger (Ali Kamel) — o agente das sombras do jornalismo global.

Ele deve ter baixado uma espécie de bula papal, proibindo a divulgação da pesquisa nas Organizações(!) Globo. Aos editores, coube apenas curvar-se, em silêncio obsequioso.

O Jornal da Globo (aquele que vai ao ar no começo da madrugada) também não publicou nada. E o jornal O Globo trouxe uma pequena referência à pesquisa CNT/Sensus, na capa desta quarta-feira (04/02/2008), mas em vez de destacar a popularidade de Lula, preferiu manchetar: “Dilma sobe e Serra lidera”.

O fato é estranho, mesmo para os padrões jornalísticos de Ratzinger.

Talvez haja algo se movendo nos bastidores das comunicações do país.

Se a idéia fosse apenas esconder a notícia, o “normal” seria a TV Globo dar uma nota, discreta, sobre a pesquisa lá pelo meio do JN. Mas, ao ignorar a notícia solenemente, talvez tenha mandado um recado ao Palácio do Planalto.

Digo isso porque outro fato estranho ocorreu no último fim-de-semana. Vocês viram o anúncio publicado pelo SBT em jornais e revistas de todo o país? Parece um recado no sentido oposto: “Presidente, estamos com o senhor, não torcemos contra”. Sílvio Santos procura ocupar espaço, como a dizer: “não somos como a turma lá do Jardim Botânico”.


O SBT sabe que a animosidade da Globo contra o governo Lula cresceu? Há motivos políticos, ou há também uma luta pela distribuição das milionárias verbas publicitárias controladas pelo governo?

Ou o Sílvio Santos ficou sabendo antes da pesquisa, e quis pegar carona na popularidade de Lula?

Vejam: estou apenas testando hipóteses.

O que Lula e Dilma vão fazer diante disso? Provavelmente, nada.

Lula, como eu já disse num outro texto, às vezes lembra mais Jango do que Vargas.

Cabe a nós, ao menos, espalhar pela internet o que se passou nesse caso. Mais um episódio didático, a apontar como atua boa parte da “grande imprensa” no Brasil. É uma imprensa cada vez mais minúscula.

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=50656

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Globo prejudica capital mato-grossense para a copa 2014

Reportagem da ''Bobo'

Twitter.com

Reportagem da Rede globo televisão, carinhosamente chamada pelo Zé Carioca –personagem da Walt Disney - de rede bobo, mostrada ontem no fantástico, mostrando uma quadrilha de menores, que supostamente atuaria em Cuiabá, é uma ducha de água fria nas pretensões a capital mato-grossense a sub-sede da copa do mundo de 2014. Apesar de os menores mostrados na matéria já estarem em liberdade, a bobo preferiu não comentar o fato na sua totalidade. Detalhe: cópia da reportagem já estariam sendo distribuidas para representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e para os emissários da FIFA. Alias, seria articulação do grupo Zahran para levar a sub-sede da copa para Campo Grande.

Da Redação
http://www.olhardireto.com.br/colunas/coluna.asp?cod=18989

Mídia, demos e a tragédia da Renascer - TV Globo esconde a sujeira

Mídia, demos e a tragédia da Renascer
Twitter.com
Por Altamiro Borges - de São Paulo

O sempre atento Nivaldo Santana, vice-presidente da CTB e ex-deputado estadual, postou no seu blog uma notinha reveladora do caráter da mídia. “O Bispo Gê Tenuta, o responsável pela Igreja Renascer, já foi deputado estadual e hoje é suplente de deputado federal pelo DEM/SP. Parece, inclusive, que vai assumir o mandato. Não vi uma única linha que tocasse nesta condição política do religioso. A mídia não quer associar a tragédia, que resultou na morte de nove pessoas, com a prefeitura. Kassab e Bispo Gê são do mesmo partido. Tanto a prefeitura como os responsáveis da igreja descuidaram de itens essenciais à segurança dos fiéis”, registra o texto “empresário da fé”.

A manipulação da mídia, como alerta Nivaldo, é realmente impressionante. Se o tal bispo tivesse apoiado Marta Suplicy na eleição paulistana, com certeza o vínculo seria manchete dos jornalões e das revistas. O “colunista” Arnaldo Jabor, cuja esposa, Suzana Villas Boas, presta assessoria ao governador José Serra, teria feito suas gracinhas na TV Globo. Mas como o líder evangélico é do demo (ex-PFL), nem a sigla partidária aparece quando citam seu nome. As imagens de Kassab e Bispo Gê juntos em campanha sumiram do ar. Talvez nem as centenas de pessoas soterradas nos escombros do prédio inseguro da Igreja Renascer façam a devida ligação bispo-prefeito-demos.

TV Globo esconde a sujeira

A Renascer fez ativa campanha para Gilberto Kassab, apadrinhado do presidenciável José Serra. Engajado na campanha, o diretor-executivo de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, deu até uma trégua na guerra liderada pela emissora contra as igrejas evangélicas. Para livrar a cara do demo, ela deixou de alardear a prisão, nos EUA, dos fundadores da igreja, Sônia e Estevam Hernandes, acusados de desvio ilegal de dinheiro. Também abafou as investigações que apontaram Fernanda Hernandes, filha dos fundadores da Renascer, como “funcionária fantasma do deputado estadual Geraldo Tenuta, conhecido como Bispo Gê”, segundo relato do casal global no Jornal Nacional.

Para interferir na batalha eleitoral, a mídia deixou de lado a “imparcialidade” nas apurações das irregularidades da Igreja Renascer – inclusive as que denunciaram o uso indevido de entidades assistenciais para enriquecer a instituição “religiosa”. Faz o mesmo agora, diante dos escombros do prédio e dos nove mortos, omitindo as relações do Bispo Gê com o DEM e o prefeito reeleito da capital paulista. A cada dia que passa, a mídia hegemônica se transforma no principal partido da direita no Brasil. O que ela chama de cobertura jornalística é, de fato, manipulação política.

Aero-Yeda e o silencio midiático

Outro caso emblemático desta distorção é o tratamento dado pela mídia à compra de um jato para governadora do Rio Grande Sul, Yeda Crusius. A tucana, que chafurdou o governo em inúmeros casos de corrupção, anunciou a aquisição do avião executivo orçado em US$ 26 milhões. Diante das críticas, ela rebateu: “Podem chamá-lo de Aero-Yeda, de Queen Air, do que quiserem”, em mais uma prova de inabilidade e arrogância políticas. A mídia, porém, parece que inocentou a governadora. Na Folha de S.Paulo foram publicadas apenas três notinhas, não houve destaque no Jornal Nacional. Bem diferente do escarcéu promovido contra o chamado “Aero-Lula”.

Até o blogueiro Ricardo Noblat estranhou as reações diante desta nova aquisição. “Quatro anos depois de criticar duramente o governo do presidente Lula pela compra do Airbus presidencial, integrantes do comando do PSDB se esquivaram de comentar a decisão da governadora do Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius, de também adquirir um jato para vôos internacionais”. O blogueiro, que também é colunista do jornal O Globo, só não criticou o vergonhoso silêncio da mídia hegemônica – por motivos óbvios.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil, autor do livro Sindicalismo, resistência e alternativas (Editora Anita Garibaldi)
http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=149337

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Internet via TV: Uma opinião que não vale nada.

Internet via TV: Uma opinião que não vale nada.

Glaucio Binder

Ninguém discute o crescimento da importância da Internet e as mudanças que ela gerou na nossa vida.

Isto é tão indiscutível que ninguém questiona a comunicação que dá destaque ao endereço eletrônico do anunciante, mesmo sabedores que somos da estranheza que ele deve gerar nas "velhinhas de Taubaté". (fico sempre imaginando o que determinadas camadas da população pensam quando ouvem ou vêem mensagens com dabliu, dabliu, dabliu, ponto, fulano de tal, arrouba, sicrano de tal, ponto com, ponto be erre).

Realmente este é um caminho sem volta. Atravessamos o rio, destruímos as pontes e agora sobrevive quem aprender a andar do outro lado.

Daí já somos tantos milhões de usuários da Rede. E poderemos ser muito mais ainda.

Mas, sabemos, que uma parcela significativa destes usuários, são usuários em ambiente de trabalho. Isto é, um grande número de internautas, só o consegue ser com o equipamento do escritório ou com o acesso que têm no escritório.

Isto é, o número de usuários de internet que acessam à noite deve ser menor do que o número de usuários do horário comercial. Talvez exista uma publicação que confirme este sentimento. Ou não, também não importa.

A questão indiscutível é, o número de internautas que vêem TV à noite e acessam à Internet ao mesmo tempo é bem menor do que qualquer outro número. E, sejamos sinceros, esta turma (a da TV e Internet ao mesmo tempo) deve ter um perfil bem específico, com características próprias (não deve ser exatamente um normal um cara que faz estas duas coisas ao mesmo tempo - ou pelo menos não é representativo do universo da população brasileira).

Partindo desta premissa, afirmo, pesquisas de opinião deflagradas pela TV, para serem respondidas pela Internet imediatamente, não representam nada.

Se assim fossem, o provável meio campo da seleção serio o do Grêmio, pois lembro bem de um jogo da eliminatória em que a Globo perguntou no ar - para responder via Internet - qual o meio campo ideal para a seleção e a resposta incluía o tal de Tinga e o restante do meio de campo do time gaúcho. Não por um acaso, o jogo era em Porto Alegre. Graças a Deus o Felipão não levou a sério (não que o Felipão seja o tipo de cara que preste atenção para opinião alheia).

Mas a população não sabe disto. E muito menos as "Velhinhas de Taubaté". E quando a voz da Globo (que é quase a voz de Deus, do Deus brasileiro, é claro) diz, X por cento dos internautas pensam isto, ou Y por cento preferem aquilo, o telespectador médio interpreta como a opinião da população, e isto acaba interferindo na sua própria opinião sobre as coisas que estão sendo questionadas.

Isto é uma forma muito leviana de fazer pesquisas. Primeiro porque internauta não é população e, indo mais fundo ainda, internauta que vê televisão e acessa computador ao mesmo tempo não é nem representativo do universo total dos internautas.

Para ser sincero, nem sei se o número absoluto de respostas é significativo, já que as respostas acabam sempre aparecendo em proporções, o que tira da Emissora o risco de pagar o mico de dizer que "10 pessoas acharam isto" ou "dois acharam aquilo outro". Não duvido muito que algumas perguntas, de interesse discutível, gerem um nível de respostas insignificante.

Isto sem falar que a Internet possibilita respostas tendenciosas, já que determinados grupos, interessados em determinadas respostas podem se mobilizar melhor.

É bem verdade que a Emissora não tem posto no ar questões muito sérias para serem respondidas desta forma. Mas, não deixa de ser um treinamento e, eventualmente, num descuido editorial, pode ir para o ar alguma questão mais séria, com um resultado distorcido, afetando significativamente a opinião da população.

Eu não sei qual o órgão, se os reguladores de comunicação, ou se a ABIPEME (Associação de Pesquisa de Mercado) deveria se pronunciar sobre isto. Mas alguma regra deveria ser estabelecida. A minha sugestão é de que sempre venham os números absolutos, pelo menos, e que a Emissora tenha o cuidado de esclarecer - para as "Velhinhas de Taubaté" - que estas respostas não representam a opinião da população.

Já vivemos uma época em que as opiniões respaldadas mudam constantemente. Na medicina, por exemplo, hora ouvimos que determinada substância faz mal, hora que faz bem e fica sempre difícil de saber qual o melhor caminho. Não precisamos de mais esta confusão de informação.

Se não vier qualquer regulamentação, Dona Rede Globo, pense nisto. A sua responsabilidade diante da população é muito grande.
Fonte:
http://www.umacoisaeoutra.com.br/marketing/internetv.htm

Aquecimento global já é irreversível

Aquecimento global já é irreversível

SÃO PAULO – Uma pesquisa do NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) concluiu que a mudança climática causada pelas emissões de dióxido de carbono não tem volta.

O estudo foi conduzido por uma das mais renomadas profissionais da área climática, a cientista americana Susan Salomon, que divulgou resultados catastróficos: a temperatura da superfície, o nível do mar e índice de chuvas sofrerão alterações irreversíveis por mais de 1000 anos, depois que as emissões de dióxido de carbono (CO2) cessem completamente.

No método de pesquisa, foram construídos cenários que tiveram examinadas as conseqüências de diferentes níveis de CO2 e, em seguida, as emissões foram cessadas completamente. Os impactos foram mais severos em níveis máximos, mas, segundo o estudo, a alteração climática ocorreu em todas as condições.

A constatação é que todas as regiões serão afetadas, em graus diferentes. A chuva diminuirá por séculos e a África, por exemplo, teria sua estação agrícola afetada de maneira drástica. Os outros continentes também sofreriam com abastecimento de água, incêndios, alteração de ecossistemas e expansão dos desertos.

Um dos fatores mais preocupantes, de acordo com a cientista, é a subida do nível do mar. Considerando o aquecimento das águas do oceano e derretimento das geleiras, a média de elevação mundial, no ano 3000 seria de 40 centímetros até 1 metro – com picos de concentração de CO2 em 600 partes por milhão.

Para se ter uma idéia, o valor das emissões de hoje é de 387 partes por milhão.

As iniciativas que planejam retirar o dióxido de carbono para fora da Terra não foram consideradas no estudo, pois, segundo os pesquisadores, “no momento são apenas especulações”.


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Globo ataca Lula e inventa desemprego em massa

Globo ataca Lula e inventa desemprego em massa

Serei curto e grosso. O programa Fantástico, da Rede Globo, veiculou, neste último domingo, pouco depois das 22 horas, um quadro sobre “como agir diante do desemprego”, no qual fez dois fortes ataques ao presidente Lula, ainda que dissimulados, e promoveu o maior alarmismo social que já assisti em minha vida numa televisão aberta, e num horário que permitiu àquele absurdo atingir dezenas de milhões de famílias brasileiras.

Por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania.Com

O quadro começa com a apresentadora do programa dizendo que, “O que era para ser marolinha, virou tsunami”. Em seguida, um “especialista” diz que, “ao contrário do que dizem as autoridades, a crise é nossa, também”, insinuando que haveria culpa do governo Lula pela crise. Além disso, a reportagem mostrou cenas tristes de pessoas demitidas, cenas que mesmo nos momentos de maior euforia econômica de um país, sempre serão tristes.

A reportagem apresentou uma redução na criação de vagas em novembro e o aumento de demissões em dezembro como provas da crise de desemprego em massa que teria se abatido sobre o país. Escondeu que o número de 40 mil vagas em novembro não foi perda, mas diminuição na CRIAÇÃO de vagas, e que as 600 mil vagas que mencionou em dezembro não são a diferença entre admissão e demissão de empregados, mas o número total dos que perderam emprego. O saldo de demissões e admissões seria uma fração desse número.

Bem, não há muito mais o que dizer. À esta altura, dezenas de milhões de famílias estão achando que há uma terrível crise de desemprego em massa no Brasil. O mercado de carros novos será o mais afetado. O Fantástico recomendou que esse tipo de compra seja postergada e, como se sabe, o que poderia suspender as demissões na indústria automobilística seria o aumento do consumo que começou a ocorrer depois de medidas do governo como suspensão do IPI dos carros novos.

O Fantástico não deu voz a nenhuma das “autoridades” que criticou e ainda escondeu os relatórios animadores de organismos multilaterais como o FMI, o Banco Mundial ou a OCDE que colocam o Brasil como a economia mais preparada do mundo para enfrentar a crise. Enfim, o objetivo foi sonegar informações ao público, gerar desmoralização do governo Lula e pânico entre a população. Tudo pela menor crise de desemprego da história, que inclusive ocorre no momento em que o nível de emprego no Brasil está em seu patamar mais alto.

Nós mesmos, pouco podemos fazer. Estamos falando de um programa da Globo que é campeão de audiência há quase 40 anos. Nessa noite desse programa nefasto, dezenas de milhões de brasileiros terão ido dormir ansiosos, preocupados e até desesperados, e por muito pouco.

Só há uma pessoa neste país que pode dar uma resposta a esse verdadeiro ato de terrorismo: Luiz Inácio Lula da Silva.

Se Lula, agora, não tomar uma atitude dura, se não mostrar que pretende enfrentar tentativas, não de sabotagem política, mas de literal sabotagem da economia de todo um país, será cúmplice de todos os danos que esse terrorismo de punhos de renda causar. O presidente Lula tem o dever de falar à nação em rede nacional de rádio e tevê e dizer claramente tudo que eu disse aqui, no mínimo. Se não fizer isso, este país estará frito.

Veja o que saiu no site do Fantastico

http://www.g1.com.br/fantastico

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL961476-15605,00-O+QUE+FAZER+NA+HORA+DO+APERTO+NO+TRABALHO.html



Que era apenas uma marolinha, virou tsunami.
A crise financeira que começou nos Estados Unidos já está tirando há muito tempo o sono dos brasileiros.

Em novembro do ano passado, o país perdeu 40 mil postos de trabalho. Em dezembro, o número de pedidos de seguro-desemprego aumentou mais de 50% no estado de São Paulo. O que fazer nessa hora de aperto?

“Foi de manhã. Eu estava na minha sala, trabalhando”, lembra o funcionário de mineradora Luiz Citty, que está desempregado.

“De repente chegou o nosso chefe com uma folha”, conta a metalúrgica
Silvânia Barbosa, desempregada.

“E falou que eu estaria dispensado”, diz Djoaquim Gomes Neto, outro funcionário de mineradora, também desempregado.

“A gente fica meio, meio sem...”, acrescenta Luiz Citty, funcionário de mineradora desempregado.

“Aí eu perguntei por que, e ele falou assim: ‘Não, isso é por causa da crise. A crise te pegou’", diz Joaquim Gomes Neto, funcionário de mineradora, desempregado.

“Já passamos da fase em que nossas autoridades insinuaram que a crise era dos outros. Todos nós já estamos convencidos de que a crise é nossa também”, lembra o consultor de carreiras Max Gehringer.

“Os números são muito, muito preocupantes”, alerta o economista da USP
Hélio Zylberstajn.

Mais pessoas estão pedindo seguro-desemprego e atrasando as dívidas.

“E de repente está batendo a insônia. Meia-noite, uma hora, pensando: ‘O que eu vou fazer? E a minha casa? E o meu quarto, que eu tanto sonhei?’", conta a metalúrgica Silvânia Barbosa.

Em novembro de 2008, o país perdeu 40 mil empregos formais.

“E agora dezembro a gente deve estar perdendo, segundo o governo, 600 mil vagas”, diz Hélio Zylberstajn.

Portanto, se você está preocupado com o seu trabalho, atenção para as dicas:

A primeira: não mude de emprego agora. Mesmo que você tenha bons motivos para mudar, seja paciente e aguarde a tormenta passar. Quando ocorrem demissões, os empregados mais recentes são os primeiros na fila dos demitidos, porque o custo da demissão é mais baixo.

A segunda: concentre suas energias em suas tarefas. A pior coisa que pode acontecer em um momento de crise é criar uma situação interna ruim, através de boatos e diz-que-diz.

E a terceira: não seja pessimista, mas não exagere no otimismo. Não é preciso deixar de comer ou de se divertir com a família, mas é prudente evitar fazer dívidas pesadas e de longo prazo.

Para Luiz, o corte no orçamento foi radical.

“Eu cancelei plano de saúde da minha mãe. Minha mãe tem 76 anos”, lembra Luiz Citty.

Luiz tinha 25 anos de serviço em uma grande mineradora em Itabira, Minas Gerais, empresa que demitiu 1,3 mil funcionários em todo o mundo.

“Eu sinto uma tristeza profunda. Acordo de manhã, não tenho nada o que fazer. Fico olhando para o tempo. É como se a gente fosse um material de desgaste. Desgastou, joga fora. É assim que estou me sentindo nesse momento”, Luiz Citty.

“Com essa crise agora, quem vai dar emprego a uma pessoa igual a mim? No meu caso tenho 49 anos”, questiona Joaquim Gomes Neto.

Joaquim trabalhava havia 30 anos na mesma mineradora de Luiz. Ele se sente frustrado por não poder bancar a festa de 15 anos da filha.

“Eu quero uma festa, só que eu não sei se vai poder fazer. Por causa agora que ele não trabalha mais”, conta Patrícia Adriely Gomes, filha de Joaquim.

O importante nesse momento é não se culpar.

“É um problema econômico, não se deprima, não desanime. Mantenha a esperança, a auto-estima, o bom humor e vamos à luta”, aconselha Hélio Zylberstajn.

E agora, uma dica para quem perdeu o emprego: depois de solicitar o seguro-desemprego, não fique parado. Surgir a possibilidade de um serviço temporário ou como autônomo, aceite, mesmo que seja em outro ramo de atividade.

Na hora de voltar a contratar, e essa hora chegará, as empresas vão dar preferência a quem não se deixou abater pela crise.

Mesmo obrigada a interromper a reforma da casa que divide com o filho, a nora e a neta de 3 anos na comunidade de Heliópolis, São Paulo, Silvânia não desanima.

“Não vou chorar. Se é uma crise, então a gente vai enfrentar a crise. Todo mundo vai enfrentar”, comenta Silvânia Barbosa.

A situação pode melhorar ainda este ano.

“A gente precisa ficar olhando o que vai acontecer com o pacote que o presidente Obama vai anunciar e pôr em prática. Se esse pacote der certo, eu acredito que no segundo semestre, mais para o final de 2009, nós vamos ter os primeiros sinais de alguma recuperação”, explica Hélio Zylberstajn.

Enquanto isso, a estratégia de entidades como a Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, é negociar com sindicatos a redução de jornada de trabalho e salários em 25%. Uma proposta dentro da lei, mas polêmica, porque não tem qualquer garantia de estabilidade.

“Nós não estamos falando de garantia de emprego, porque isso não está na lei do país”, lembra o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

O melhor caminho em uma situação de crise seria a negociação de horários e salários mais flexíveis por um período determinado, vamos dizer seis meses. Seria bom para as empresas, que não teriam custos de demissão, e para os empregados, que manteriam o emprego.

Brasil gera mais de 1,45 milhão de empregos formais em 2008
Pagina principal / Negócios
20.01.2009
http://port.pravda.ru/busines/20-01-2009/25883-brasilempregos-0

Foram gerados 1.452.204 empregos formais no ano de 2008, o que representou um crescimento de 5,01% no estoque de assalariados celetista em relação a dezembro de 2007. Mais pessoas desfrutando de benefícios como 13º salário, férias remuneradas, FGTS e acesso ao seguro-desemprego. Em termos absolutos, este foi o terceiro melhor resultado da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado esta segunda-feira (19) pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.

Os recordes anteriores foram em 2007 (1.617.392 postos) e 2004 (1.523.276 postos). O desempenho mais modesto em 2008 reflete os efeitos negativos da crise financeira internacional sobre o mercado de trabalho, vislumbrados em outubro e confirmados nos meses de novembro e dezembro. No último mês do ano, foram fechados 654.946 postos. O Brasil possui hoje em estoque 30.418.394 trabalhadores formais, sendo que 7.720.972 postos só entre 2003 e 2008.

“Um momento de crise não é momento de retirar direitos dos trabalhadores. Precisamos chegar a um acordo que não prejudique os trabalhadores. O Brasil, que pertence ao contexto globalizado, sofreu em dezembro com a crise. Já conversei com o presidente Lula sobre novas medidas que poderão ser adotadas para defender os trabalhadores, que têm como foco a geração de emprego”, destacou o ministro Lupi.

Setores – Todos os setores apresentaram crescimento no nível de emprego em 2008. Em termos absolutos, Serviços, com o aumento recorde de 648.259 postos de trabalho (+5,67%), liderou a geração de postos com carteira assinada no período. Em seguida vêm os setores do Comércio (+382.218 postos; +5,91%); da Construção Civil (+197.868 postos; +12,93%) - resultado recorde da série do período e a maior taxa de crescimento dentre todos os setores -; e da Indústria de Transformação (+178.675 postos ou +2,55%).

A agricultura, ao responder pela elevação de 1,22% ou acréscimo de 18.232 empregos, apresentou um comportamento mais modesto, mas sinaliza a manutenção da trajetória de recuperação verificada em 2006 (+6.574 postos ou +0,45%), quando comparado ao mesmo período de 2005 (-12.878 postos ou -0,87%) e confirmada em 2007 (+21.093 postos ou +1,43%).

Regiões - Em termos geográficos, os dados mostram expansão generalizada do emprego. Nas grandes regiões verificou-se o seguinte comportamento: Sudeste (+840.299 postos ou + 5,21%), o segundo melhor resultado, superado pelo ocorrido em 2007 (+949.797 postos ou +6,25%); Sul (+275.363 postos ou + 5,12%); Nordeste (+203.617 postos ou +4,82%), a segunda maior geração de empregos, muito próxima do recorde registrado em 2007 (+204.310 postos ou +5,08%); Centro-Oeste (+106.351 postos ou +5,26%), o segundo maior saldo do período, menor apenas que o verificado em 2004 (+111.302 postos ou +6,48%) e Norte (+26.574 postos ou +2,20%).

Dezembro de 2008 - No mês de dezembro verificou-se redução de 654.946 postos de trabalho, queda de 2,11%, tomando como referência o estoque do mês anterior. Tradicionalmente, os dados do Caged evidenciam uma marcada sazonalidade negativa (entressafra agrícola, término do ciclo escolar, esgotamento da bolha de consumo no final do ano, fatores climáticos) no mês de dezembro, que permeia quase todos os subsetores de atividade econômica e estados.

Além dos fatores sazonais, o comportamento do emprego no mês de dezembro também é alimentado por fatores conjunturais que amenizam ou acentuam a sazonalidade negativa presente no mês. Em dezembro do ano passado, todos os subsetores e Unidades da Federação apresentaram declínios acentuados no nível de empregos. Em termos setoriais, a Indústria de Transformação (-273.240 postos ou -3,67%); a Agricultura (-134.487 ou -8,14%); os Serviços (-117.128 postos ou -0,96%) e a Construção Civil (-82.432 postos ou 4,55%) foram os principais setores responsáveis pelo declínio do emprego no mês. Quanto aos estados, os que mostraram as maiores quedas foram: São Paulo (-285.532 postos ou -2,74%), Minas Gerais (-88.062 postos ou -2,64%), Paraná (-49.822 postos ou -2,36%), Santa Catarina (-27.843 postos ou -1,78%) e Rio Grande do Sul (-27.678 postos ou -1,33%).

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
http://port.pravda.ru/busines/20-01-2009/25883-brasilempregos-0

Combate à crise
BB e Caixa vão exigir contrapartida de emprego em novos financiamentos públicos

Publicada em 20/01/2009 às 23h57m
O Globo
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/01/20/bb-caixa-vao-exigir-contrapartida-de-emprego-em-novos-financiamentos-publicos-754066532.asp

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinará, na quinta-feira, aos dirigentes do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal, que passem a exigir contrapartidas de geração e manutenção de emprego nos novos financiamentos públicos, mostra reportagem de Geralda Doca, na edição desta quarta-feira, do Globo. A contrapartida valeria mesmo para os recursos do Tesouro Nacional, com taxas de juros mais baixas que as cobradas pelo mercado, informou fonte do primeiro escalão do governo.

Em encontro de cerca de três horas com dirigentes das centrais sindicais , na segunda-feira, Lula, que está determinado a agir para evitar que o desemprego suba ainda mais, prometeu que as novas desonerações de tributos em estudo pelo governo terão como contrapartida a manutenção dos empregos. Ou seja, as empresas só poderão se beneficiar da redução de impostos e contribuições se garantirem que não demitirão pessoal. Lula avaliou como positiva a reunião com seis centrais sindicais.

Nos empréstimos com recursos do Fundo Amparo ao Trabalhador (FAT) e do FGTS, já existe uma orientação nesse sentido do Ministério do Trabalho. Porém, somente o BNDES estaria cumprindo a exigência. Agora, BB e Caixa também terão de seguir o exemplo. Além disso, deverá ser publicada nesta quarta-feira, no Diário Oficial da União, uma portaria com nomes do grupo de acompanhamento que vai fiscalizar a aplicação dos recursos dos dois fundos do trabalhador, juntamente com o compromisso dos tomadores com a geração de emprego.

Segundo interlocutores do Palácio, o presidente Lula teria ficado irritado com o ministro Guido Mantega porque a Fazenda não exigiu contrapartida de manutenção de empregos das montadoras ao conceder redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis .

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Polícia de Nova Jersey busca por bebê jogado no lixo por hospital

Polícia de Nova Jersey faz grande busca por bebê jogado no lixo
http://blog.nj.com/hudsoncountynow_impact/2009/01/large_zbaby06%20copy.jpg
Kalynn Moore, 26, of Jersey City, with her baby boy, in a photo provided by the family.

A Polícia de Nova Jersey, nos Estados Unidos, procura em lixões do estado e da Pensilvânia o corpo de um bebê que aparentemente foi jogado no lixo, enquanto segue a polêmica entre a mãe e o hospital sobre se a criança estava viva ou morta no momento do parto, informa hoje a imprensa local.

Kalynn Moore, de 26 anos e mãe do bebê, denunciou hoje que seu filho nasceu em 21 de dezembro, um mês antes do previsto, no Christ Hospital em Jersey City, Nova Jersey, e que o carregou brevemente em seus braços.

Segundo a mãe, os médicos ficaram 20 minutos tentando estabilizar o ritmo cardíaco do bebê antes que ele morresse.

Ela disse, além disso, que sua sobrinha Nicia Royster acompanhou uma enfermeira nesse dia deixar o corpo do bebê no necrotério do hospital.

Moore exibiu hoje, em coletiva de imprensa, uma foto que a mostra carregando seu filho, chamado por ela de Bashere Davon Moyd.

De acordo com a Polícia, o corpo da criança teria sido jogado no lixo, mas não se sabe quando.

O advogado da família disse não descartar um processo contra o hospital e que não há razão para que o corpo de um bebê, vivo ou não, seja jogado no lixo.

O hospital assinalou, através de sua porta-voz Bárbara Davey, que continua "cooperando com a investigação e fazendo todo o possível para encontrar os restos da criança", que segundo a instituição, quando veio ao mundo já estava morta.

YouTube
Baby's Corpse Thrown Out With Hospital's Trash


http://blog.nj.com/hobokennow_impact/2009/01/large_baby2.JPG
Kalynn Moore, 26, center, at a press conference about her baby, Bashere Davon Moyd Jr., whose body was discarded in the trash, at the Anise & Anise law office in Jersey City earlier today. With her are her lawyer, Michael Anise, left, and her cousin, Nicia Royster.

Police are searching in New Jersey and Pennsylvania garbage dumps for the body of a baby boy delivered at Jersey City's Christ Hospital which was apparently thrown out with the trash, authorities said today.

"This has become a search and recovery," Hudson County Prosecutor Edward DeFazio said this afternoon.

Hospital officials say the baby was stillborn when delivered by a Jersey City woman, Kalynn Moore, 26, on Dec. 21 and was brought to the hospital morgue. The family disputes the claim, saying that the baby was alive when delivered and declared dead 20 minutes later.

When a funeral home representative went to the morgue to pick up the body on Jan. 2, the baby could not be found, DeFazio said.

That's when police became involved and the investigation determined that the baby's body was likely discarded in trash and the trash was already gone. Jersey City Police and law enforcement officials in Pennsylvania are searching for the body in garbage dumps. Dogs from the Bergen County Prosecutor's Office are assisting, DeFazio said.

"Our thoughts and prayers are with the family, and we hope to bring this unfortunate situation to a resolution as soon as possible," said a hospital spokeswoman in a statement.

Stay with Hudson Now for updates on this story.
more

Kalynn Moore, Mother. Photo by 1010 WINS reporter Steve Sandberg

The mother of the baby discarded in the trash at Christ Hospital said today her hurt runs deep.

"It's like they treated my son like he wasn't anything and it hurts so bad because I waited eight months for my son and then to just turn around and you lose him," said Kalynn Moore whose son Bashere Davon Moyd, Jr went missing from the hospital morgue.

The mother said that on Dec. 21. doctors noticed the baby had a shallow heart beat and called for an emergency Cesarean. She was anesthetized and fading in and out of consciousness during delivery. Afterward, a nurse told her the baby was dead.

"They said his umbilical cord separated from the placenta and it was needing oxygen and they told me that they tried to work on it for 20, 25 minutes but there was nothing they could do," Moore said at a press conference in the Jersey City office of her attorney, Michael Anise.

The lawyer said that on Friday a hospital spokesperson and a chaplain came to her house and told her the baby's body was missing.

"They told her 'Look, we can't sugar coat this for you,'" Anise said, paraphrasing the police officers who visited the house. "'The hospital, they made a tremendous mistake and they threw your baby out with the trash.'"

Anise said a lawsuit will be filed but the priority now is recovering the body of the infant.

In the meantime, police have tracked down the remains to a garbage dump in Kentucky.

But in a statement tonight, Police Chief Tom Comey said he didn't know if the remains had already been incinerated.

http://www.nj.com/hudson/index.ssf/2009/01/babys_body_tossed_with_the_tra.html




Steve Sandberg reports
Kalynn Moore
Christ Hospital has some answering to do after a still born baby's remains disappeared before arriving at a Jersey City, N.J., area funeral home

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Juiz é punido por dizer que futebol é coisa de macho


O Tribunal de Justiça de São Paulo aplicou pena de censura ao juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal Central de São Paulo. Em uma sentença, o juiz fez alusão a possível homossexualidade do jogador Richarlyson Barbosa Felisbino, volante do São Paulo. A posição defendida na sentença judicial causou polêmica.

A maioria dos desembargadores do Órgão Especial decidiu seguir o voto do relator, Walter Swensson. Votaram contra a aplicação da pena o presidente do TJ paulista, Vallim Bellocchi e o desembargador Marco César. O julgamento aconteceu na quarta-feira (10/12). O resultado foi divulgado nos blogs do desembargador Ivan Sartori e do jornalista Frederico Vasconcelos.

A defesa sustentou que emitir opinião contrária ao homossexualismo não pode ser considerado discriminação. A tese não sensibilizou o colegiado. Para a maioria, o magistrado agiu com impropriedade absoluta de linguagem na sentença dada em julho do ano passado. Na época, a alusão à virilidade do jogador de futebol foi manifestada em uma ação penal privada proposta por Richarlyson contra um dirigente do Palmeiras.

O juiz mandou arquivar a queixa-crime. O dirigente havia insinuado em um programa que o jogador seria homossexual. Na sentença, o juiz afirmou que futebol era coisa de "macho", esporte "viril, varonil, não homossexual".

Por conta da sentença, o Tribunal de Justiça abriu investigação disciplinar contra o juiz. Em outubro do ano passado, o Órgão Especial rejeitou, por maioria de votos, a defesa prévia do magistrado e decidiu pela continuidade do processo administrativo disciplinar. Na época, ficaram vencidos os desembargadores Marco César e Pedro Gagliardi, que votaram pelo arquivamento.

Na defesa prévia, o advogado do juiz sustentou que o que se pune e deve se reprimir é a discriminação à pessoa, que se caracteriza por atitude pessoal, nominal, não genérica. Segundo a defesa de Junqueira Filho, ninguém pode obrigar alguém a ser católico, evangélico, corintiano, palmeirense ou são-paulino.

"Podemos não gostar do catolicismo, do evangelismo, do Corinthians ou do São Paulo, mas não podemos atacar quem tem fé nessas religiões ou torce por esses clubes. Da mesma forma, não se pode atacar o homossexual, mas ninguém pode obrigar ninguém a gostar do homossexualismo", sustentou a defesa.

O advogado alegou ainda cerceamento de defesa, nulidade do acórdão de acusação, impedimento de todos os desembargadores que subscreveram o documento e, no mérito, ausência de falta grave cometida no episódio e inexistência de preconceito no texto da sentença.

Em agosto do ano passado, o TJ-SP havia aceito pedido de abertura de procedimento para investigar o juiz, com base no artigo 35 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). No entendimento do colegiado, havia indícios de que, no episódio, o juiz agiu com conduta incompatível com os deveres do cargo de magistrado.

No mérito, a defesa sustentou que seu cliente não feriu a Constituição Federal, não invadiu a vida privada, nem a honra, nem a imagem no jogador Richarlyson. Refutou as acusações de que a sentença seria pérola jurídica, cômica, ofensiva e esdrúxula, como foi apontada. "O magistrado pode ter suas opiniões pessoais, mas não agiu com descompostura e imparcialidade. Apenas recusou uma queixa-crime onde não se provara a acusação e onde não havia acusação formal a quem quer que seja", disse o advogado.

Outras investigações

O juiz já respondeu a outros processos, tanto administrativos como judiciais. O magistrado teve sua conduta questionada em pelo menos uma dezena de representações. Em duas delas, chegou a ser condenado às penas de censura e advertência, mas conseguiu reverter os castigos. Nos dois casos, a penalidade foi aplicada pelo Conselho Superior da Magistratura e reformada no Órgão Especial do TJ paulista.

Em outra, recorreu e perdeu. Neste caso, o TJ paulista reprovou a conduta do magistrado. Afirmou que ele deu péssimo exemplo aos princípios de hierarquia e disciplina judiciária. Ele foi acusado de criticar decisão de segunda instância, que mandava soltar réu, fazendo comentários impróprios sobre o acórdão na presença de advogados, promotores, juízes e servidores do Judiciário que atuavam na 9ª Vara Criminal da Capital.

"Exarar despacho em termos de audiência pública, com a presença de funcionários, advogados, os próprios réus, oficiais de justiça, lançando pesadas críticas à conduta de juiz de segundo grau, além de provocar exaltação de ânimos revela, sem dúvida, menoscabo aos deveres da função", afirmou o desembargador Maurício Ferreira Leite no julgamento do caso.

Caso Richarlyson

O juiz pediu licença do cargo, anulou a sentença da ação penal privada de Richarlyson e foi afastado. Em outubro do ano passado, voltou ao cargo. Manoel Maximiniano Junqueira Filho não era o juiz natural do caso e despachou no processo por conta da ausência da juíza auxiliar, que estava de licença-saúde. A defesa do jogador entrou com representação no Conselho Nacional de Justiça acusando o juiz de homofobia.

A polêmica sobre a sexualidade de Richarlyson começou quando o jornal Agora São Paulo noticiou que um jogador de futebol estava negociando com o Fantástico, programa da TV Globo, uma entrevista na qual assumiria ser gay. Em junho, durante o programa Debate Bola, da TV Record, José Cyrillo Júnior foi questionado se o tal jogador homossexual era do Palmeiras. Cyrillo se saiu com essa: "O Richarlyson quase foi do Palmeiras".

Richarlyson alegou que se sentiu ofendido e foi à Justiça. Na sentença, o juiz ressaltou toda a masculinidade do futebol e mostrou ao jogador são-paulino que a Justiça, nesse caso, não é a melhor alternativa. "Quem é ou foi boleiro sabe muito bem que estas infelizes colocações exigem réplica imediata, instantânea, mas diretamente entre o ofensor e o ofendido, num ‘tête-à-tête'."

O juiz sugeriu o que o jogador poderia fazer. Se não fosse homossexual, o melhor seria ir ao mesmo programa de televisão dizer que era heterossexual. "Se fosse homossexual, poderia admiti-lo, ou até omiti-lo, ou silenciar a respeito. Nesta hipótese, porém, melhor seria que abandonasse os gramados."

Para o juiz, gramado não é lugar de homossexual. "Futebol é jogo viril, varonil, não homossexual." Não há ídolos de futebol que são gays, disse ele. E mais. Demonstrou a virilidade do esporte com o hino do Internacional de Porto Alegre: "Olhos onde surge o amanhã, radioso de luz, varonil, segue sua senda de vitórias".

Anastácio Noticias
Juiz é punido por dizer que futebol é coisa de macho

terça-feira, 4 de novembro de 2008

CBN para de veicular spot do Sindicato dos Bancários de São Paulo

CBN para de veicular spot do Sindicato dos Bancários de São Paulo

A Rádio CBN (FM 90,5 e AM 780 kHz - São Paulo/SP) interrompeu a veiculação de um spot do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco (SP) e Região e de outras entidades ligadas a federações estaduais e ao Santander Banespa, na tarde desta sexta-feira (31/10).

No comunicado, o sindicato acusa o presidente mundial do Banco Santander, Emílio Botín, de promover demissões, devido à compra do Banco Real pelo Santander, que mantém o controle acionário do Banespa.

Segundo o diretor-geral do Sistema Globo de Rádio, Rubens Campos, a transmissão do comunicado, por cinco vezes, na manhã da sexta-feira (31/10), ocorreu por uma falha na área comercial.

"O informe da AFUBESP - Associação dos Funcionários do Grupo Santander, Banespa, Banesprev e Cabesp - foi ao ar na manhã de sexta-feira, 31/10/08, apesar de seu conteúdo estar em desacordo com as normas da área de operação comercial da Empresa", disse Campos.

O diretor acrescentou que a agência do sindicato poderia rever o texto.

Ernesto Izumi, secretário de imprensa do sindicato, afirma que a entidade não pretende mudar o comunicado. Acusa ainda o Banco Santander de interferir para que Campos tomasse a decisão de retirar o spot do ar.

O Banco Santander respondeu que "não fez e nem faria nenhuma pressão e não nos cabe essa liberalidade".

Fontes: Comunique-se
/AdNews

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Cidades aprovam mais alunos para aumentar indíce do Ideb

Cidades aprovam mais alunos para aumentar indíce do Ideb
Folha Online

Seiscentos e setenta e quatro municípios brasileiros conseguiram melhorar ou manter seu Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2005 a 2007 única e exclusivamente por causa do aumento nas taxas de aprovação. Nessas cidades, o desempenho dos alunos nos testes de matemática e português caiu ou ficou estagnado, mas foi compensado pelo aumento, em alguns casos surpreendentes, da aprovação em dois anos.

Esses municípios representam 16% dos avaliados pelo MEC no primeiro ciclo do ensino fundamental (de primeira a quarta séries). Em outros 2.497 (58%), a aprovação também contribuiu para melhorar a nota, mas não foi o único fator.

O Ideb é um indicador criado pelo MEC para monitorar as metas de melhoria da qualidade da educação básica. Ele é composto pelas taxas de aprovação e pelo desempenho dos estudantes em testes de português e matemática. Por isso, a nota pode variar tanto por causa da aprovação quanto pelo desempenho dos alunos.

Para o presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, Mozart Ramos, as cidades que cresceram seu Ideb só por causa da aprovação terão agora que melhorar em português e matemática, o que é mais difícil. "O próximo secretário de Educação dessas cidades não terá mais essa gordura para queimar, já que os que aumentaram a aprovação de forma acentuada chegaram perto do limite. Seu Ideb poderá estagnar ou até piorar se o desempenho dos alunos não avançar."

Preocupado com o aumento só pela via da aprovação em alguns casos, o movimento Todos Pela Educação fez a mesma conta, mas considerando apenas as capitais. Foram identificadas nove cidades no primeiro ciclo do ensino fundamental (primeira a quarta) e sete no segundo ciclo (quinta a oitava) em que o Ideb aumentou, mas houve piora no desempenho em português ou matemática.

Para o presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, órgão do MEC responsável pelas avaliações), Reynaldo Fernandes, o resultado dessas cidades deve ser acompanhado nas próximas avaliações. "Se a cidade deu um salto na aprovação e o desempenho dos estudantes não cair, isso é ótimo. Mas, se aprovou demais sem saberem nada, a tendência é o Ideb cair."

Um cálculo do Inep com base no Ideb mostra que o aumento das taxas de aprovação foi responsável por 41% da melhoria do resultado. O componente que mais explicou o avanço, no entanto, segundo essa conta, foi a melhoria do desempenho em matemática (46%). Português foi responsável por 14%.

Pesquisador da USP-Ribeirão Preto e ex-diretor do Inep, José Marcelino Rezende Pinto afirma ser difícil avaliar se os índices de aprovação melhoraram de forma real ou artificial.

"Numa situação normal, o aumento da aprovação seria motivo de festa. Em um sistema no qual se vinculam recursos à taxa de promoção, o dado é de difícil mensuração."

Ele diz, porém, que o aumento da aprovação também é desejável. "Mas aprovar não significa que o aluno aprendeu ou que a escola cumpriu sua função de ensinar."(Antônio Góis e Fábio Takahasi/Folha de São Paulo)
Fonte Fátima News